Estudo aponta aumento de 14,8% no desemprego juvenil na última década

Relatório da OIT confirma que juventude ociosa custa caro, já que não poupa nem investe e aumenta custos para sociedades

SÃO PAULO – Segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta segunda-feira (30), o número de jovens entre 15 e 24 anos que estão desempregados aumentou de 74 milhões, em 1995, para 85 milhões, no ano passado, o que representa um crescimento de 14,8% e um problema para as sociedades.

Os números mostram que a taxa de desemprego juvenil foi mais alta que a de adultos (4,6% em 2005). Além disso, do total de pessoas sem trabalho no mundo, 44% são jovens, apesar de representarem somente 25% da população em idade de trabalhar.

Custo caro

Segundo o relatório, “a juventude ociosa custa muito”. Isso porque, diminuem as poupanças e investimentos, há perda de demanda agregada e aumento de custos sociais, como os que visam a prevenção do crime ou do uso de drogas.

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De acordo com o diretor geral da OIT, Juan Somavia, tudo isso afeta a capacidade de desenvolvimento das economias. “Neste momento, estamos desperdiçando em potencial econômico uma grande parte da população, em especial nos países em desenvolvimento, que são os que menos podem permitir isso. Por isso, os países devem concentrar-se nos jovens”.

Emprego

A população juvenil cresceu, entre 1995 e 2005, 13,2%, enquanto a disponibilidade de empregos para este segmento da população aumentou somente 3,8% e chegou a 548 milhões de postos.

O relatório aponta que serão necessários 400 milhões de empregos de boa qualidade para aproveitar o potencial dos jovens e que o desemprego nesta faixa etária pode comprometer de forma permanente as possibilidades futuras de colocação.

Para Somavia, a incapacidade das economias de gerar trabalho produtivo está prejudicando os jovens. “Além de gerar um déficit de oportunidades de trabalho decente e altos níveis de incerteza econômica, esta preocupante tendência ameaça as perspectivas econômicas de um dos nossos principais recursos, nossas mulheres e homens jovens”.

Análise regional

As regiões com maior percentual de jovens desempregados são o Oriente Médio e a África do Norte, com 25,7%. Em seguida estão a Europa Central e o Leste Europeu (19,9%), a África subsaariana (18,1%), América Latina e Caribe (16,6%), Sudeste Asiático e Pacífico (15,8%).

O relatório mostra que os desafios são maiores para as mulheres, já que em algumas regiões, devido a tradições culturais, existe a falta de oportunidade para que a mulher possa combinar o trabalho doméstico com os mercados laborais.

Já os jovens ociosos, que não trabalham nem estudam, contabilizam 34% na Europa Central e no Leste, 27% na África subsaariana, 21% na América Central e do Sul, 13% nas economias industrializadas e na União Européia.

Pobreza

O estudo aponta que um quarto dos jovens (300 milhões) vive abaixo da linha da pobreza, com dois dólares diários.

O relatório confirma que um emprego não é mais garantia de sustentabilidade. Isso porque, 56% dos jovens que trabalham estão na linha da pobreza, já que são submetidos a empregos temporários, baixos salários e proteção social escassa ou inexistente.