Estresse atinge 46% das executivas das empresas brasileiras, diz pesquisa

Estudos demonstram que mulheres são as mais atingidas pelo problema; fatores culturais podem ser motivadores

SÃO PAULO – Uma recente pesquisa apontou que a pressão arterial, os níveis de colesterol, a obesidade e o estresse andam altos entre os executivos de todo o Brasil. A estimativa é que 49% dos profissionais sofram do problema. Para agravar ainda mais a situação, os dados apontam ainda que as mulheres sejam as mais prejudicadas com o diagnóstico.

Ao que parece, 46% delas sofrem desse mal, enquanto que apenas 32% dos homens na mesma função apresentam tal distúrbio. 

“Os homens são orientados, desde pequenos, a reagirem de modo mais prático ao estresse. Já as mulheres, não. Elas são orientadas a terem reações mais emotivas”, diz a diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress, Marilda Emmanuel Novaes Lipp. 

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Para ela, o problema no público feminino se deve a fatores culturais. “Após uma reunião difícil, o homem sai e resolve a situação. Já a mulher conta o assunto para outras pessoas e remoe o problema. Ou seja, ela revive aquilo diversas vezes, na medida que conta o ocorrido para alguém”, diz a profissional que comandou o estudo.

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a situação também não é muito diferente da nacional. Ao que parece, 42,6% dos homens e 54,6% das mulheres estão em faixas de estresse excessivo, de graus 3 e 4. Apenas 0,7% dos homens e 1,1% das mulheres estão no grau zero de estresse.

A informação, neste caso, faz parte de um levantamento divulgado pelo Vita Check-Up Center, centro especializado em medicina preventiva do Rio de Janeiro, que avaliou a opinião de sete mil clientes na cidade.

Risco potencial
Para a psicóloga do Vita Check-Up Center, Márcia Merquior, tais níveis podem trazer reflexos à saúde, ao relacionamento pessoal, familiar e profissional do indivíduo. “Níveis elevados podem causar uma queda de desempenho de produtividade no trabalho e na atividade intelectual e sexual”, diz.

O estudo também avaliou a pressão arterial dos executivos cariocas: 26,7% dos homens e 22,4% das mulheres apresentavam níveis elevados.

“O índice é alto para a faixa etária estudada em relação à população total. Cerca de 10% em ambos os sexos estão com níveis compatíveis com o que consideramos como ‘pré-hipertensão’, explicou o diretor do Vita Check-Up Center, Antonio Carlos Till.

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Já na análise do colesterol total, o resultado foi ainda pior: mais da metade do grupo masculino (54,8%) encontra-se na faixa acima da normalidade. E as mulheres também não ficaram atrás: 41,8% delas também tiveram níveis elevados.

Obesidade
E quanto à aparência, os homens realmente parecem se mostrar mais desleixados que as mulheres. De acordo com a pesquisa, 65% dos executivos apresentam sobrepeso ou obesidade, contra 29,7% das mulheres na mesma função. O que nem sempre pode se mostrar uma grande vantagem, especialmente para o público feminino.

Segundo o levantamento, mesmo com uma circunferência abdominal inferior, as mulheres tendem a apresentar um risco cardiovascular equivalente ao dos homens.

Para se ter uma ideia, enquanto o risco deles é de 27,5%, o delas é de 25,9%. “Preocupadas com o peso, as mulheres comem menos, mas nem sempre com qualidade”, diz Till.

A pesquisa
O estudo avaliou cerca de 7.100 exames de executivos cariocas, sendo 76,5% do sexo masculino e 23,5% do feminino. A idade média considerada foi de 45 anos para os homens e 41 anos para as mulheres. Do total, 47,3% se mostraram sedentários e 52,7% afirmaram praticar exercícios físicos pelo menos três vezes por semana.