Estágio sem bolsa auxílio: o que levar em conta ao avaliar a proposta?

Segundo prevê a legislação, as empresas podem oferecer outras formas de remuneração que não a bolsa auxílio

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SÃO PAULO – Os estudantes que buscam uma oportunidade de estágio devem ficar atentos quando as empresas oferecem outras formas de benefícios em vez da bolsa auxílio. Nessa hora, como saber se essas propostas são positivas?

Conforme a Lei do Estágio vigente, existem os estágios não obrigatórios e os obrigatórios, aqueles que são pré-requisito para que o estudante consiga o diploma. Quando os estágios não são obrigatórios, a empresa deve, por lei, pagar bolsa ou conceder ao estudante outra forma de contraprestação.

“Essas formas de contraprestação podem ser o pagamento da mensalidade da faculdade, o pagamento de cursos ou mesmo a concessão de materiais didáticos”, explica o presidente da Abres (Associação Brasileira de Estágios), Seme Arone Júnior.

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Ele explica que permitir às empresas conceder outras formas de pagamento para o estagiário é ampliar as possibilidade de inserção desse estudante no mercado. “Existem muitos cursos no Brasil que formam mais profissionais que vagas”, explica. “Uma forma de ajustar isso é oferecer vagas sem aumentar os custos das empresas”.

Dessa forma, diz Arone, os estágios que não oferecem a bolsa auxílio, mas outras formas de contraprestação, ajudam a absorver o excesso de profissionais que entram no mercado e permitem que os estudantes adquiram experiência antes de se formar.

Como saber se a proposta é boa?
Se é possível que as empresas possam conceder outras formas de remuneração ao estagiário que não a bolsa auxílio, como o estudante pode avaliar se a proposta será boa para ele? “O jovem deve avaliar o todo, deve perceber o que o estágio trará para ele”, afirma a gerente de Treinamento do Nube, Carmen Alonso.

Carmen é enfática ao dizer que o estudante em início de carreira deve ficar atento a valores mais intangíveis e não apenas aos valores materiais. “O maior ganho que o estagiário tem não é o financeiro”, ressalta.

Por isso, quando receber uma proposta que não oferece bolsa auxílio, o estudante não deve recusar sem avaliar as condições. Carmen afirma que, ao contrário do que muitos pensam, empresas grandes oferecem estágios cuja contrapartida não é a remuneração. Para ela, o estudante deve ouvir os benefícios que a empresa pretende oferecer.

“Avalie que tipo de formas de contraprestação a empresa oferece, quais as atividades que o estudante desenvolverá nessa atividade e avalie os valores intangíveis dessa proposta”, recomenda Carmen. “Muitas vezes, esses valores refletem na continuação desse jovem no mercado”, afirma.

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Um desses valores que a empresa pode proporcionar ao estagiário é a formação do network. “Hoje, 60% das colocações profissionais não são anunciadas. Elas são preenchidas por indicações”, diz Carmen. Para ela, angariar mais contatos pode ser mais vantajoso para o estagiário, muitas vezes, do que a remuneração.

Aceitando a proposta
Antes de aceitar a proposta, porém, a gerente do Nube aconselha os estudantes a verificar a idoneidade da empresa que oferece a vaga. “É preciso saber se a empresa gera o contrato de estágio e investe em treinamento e desenvolvimento do estudante”, considera.

Mesmo se não oferecer bolsa auxílio, contudo, é bom que o estudante saiba que a empresa tem de, obrigatoriamente, conceder o auxílio transporte, seguro de acidentes pessoais e férias remuneradas.