Estágio: o que buscam os candidatos e como conquistar espaço no mercado

Concorrência existe e empresas não exigem experiência; veja como evitar ser mais um simples candidato nos processos seletivos

SÃO PAULO – Depois de tanto tempo se dedicando, enfim você entrou na universidade e, mais do que nunca, chegou a hora de se tornar uma pessoa mais responsável, bancar os próprios estudos e conquistar seu lugar no mercado de trabalho. O caminho já é bastante conhecido: a busca por uma oportunidade de estágio.

Se você levar em conta que a maioria dos seus colegas também está em busca do mesmo objetivo, vai perceber logo que a concorrência é grande. E quanto mais genérico, digamos assim, for o seu curso, mais oportunidades você encontrará pelo caminho.

Concorrência é grande

De acordo com Seme Arone Júnior, diretor de marketing do Núcleo Brasileiro de Estágios (NUBE)– agente de integração especializado no recrutamento seleção e administração de estagiários – um dos cursos cuja oferta de vagas é maior é o de Administração de Empresas, área em que o estudante poderá trabalhar com marketing, recursos humanos, finanças, entre outros.

PUBLICIDADE

Tudo bem. Vamos encarar os fatos: a concorrência existe e é grande. E como estagiar significa basicamente ter seu primeiro contato com o mercado de trabalho, a experiência profissional provavelmente não será sua aliada para se destacar entre outros candidatos. Se ela existir, será ótimo para você. Do contrário, você deverá buscar outras formas de provar que é o candidato ideal para a vaga que procura.

Muitos conhecem a receita, mas falta iniciativa

Arone Júnior destaca que a “receita do bolo”, isto é, o que é preciso para ter empregabilidade, a maioria sabe: ter conhecimento em línguas e informática, estudar em instituições de ensino renomadas e com boa avaliação pelo Ministério da Educação (MEC), dominar ferramentas inerentes à sua atividade, ser flexível, pró-ativo etc. O problema, segundo o diretor de marketing do NUBE, é que apesar de saberem o caminho, muitos se acomodam e não se aprimoram como deveriam.

É o que acontece com alunos que, por exemplo, já trabalharam em empresa Junior, centro acadêmico, monitoria e laboratório de línguas da universidade. Ou seja, quanto mais pró-ativo você for e mostrar todo o interesse, inclusive, tirando boas notas na faculdade, maior será o seu diferencial.

O que pensam as empresas?

E o que pensam as empresas a respeito dos estagiários? Engano de quem acredita que estagiário é mão-de-obra barata. Pelo contrário, a intensa rotatividade pode custar muito para a empresa. Muitas vezes pode até não ser o momento de aumentar a equipe, mas considerando o tempo de casa do estagiário e todo o conhecimento adquirido durante o período, vale a pena não perder excelentes profissionais, mesmo que ainda não tenha concluído o curso. O índice de efetivação, no geral, é de 50% no ano de formatura do estagiário, conforme destacou Arone Júnior.

Por outro lado, devemos ser realistas e lembrar que, dependendo da empresa, mesmo com todos os atributos, a efetivação pode não acontecer, o que não é motivo para desanimar. Confiando no seu potencial, é hora de virar a página e procurar pela próxima oportunidade. O melhor caminho é optar por empresas grandes, de preferência as multinacionais, com uma estrutura organizada e grandes chances de aprendizado.

Outro ponto destacado pelo diretor diz respeito aos programas de estágio que são promovidos dentro de grandes empresas. Existe uma política relativamente rígida neste sentido, onde o principal intuito é contribuir com o mercado de trabalho, lançando jovens altamente capacitados e com uma bagagem relativamente grande. Estes programas são concorridos, intensos em relação à experiência que você irá adquirir e oferecem chance de efetivação de 20% a 40% dos casos.

De acordo com o NUBE, convém lembrar que em algumas destas empresas o programa tem o objetivo de capacitar o jovem brasileiro e raramente existe a efetivação, uma vez que o número de vagas em empresas multinacionais é controlado. A chance de efetivação ocorre para os melhores profissionais, mas quando há substituição natural de alguns funcionários.

Procura-se bons profissionais

Ele finaliza dando uma dica importante: para bons profissionais sempre há vaga no mercado de trabalho. Quem efetivamente coloca “o bolo para cozinhar”, tem capacidade até para escolher onde trabalhar ou é disputado pelas empresas. Portanto, partir para o ataque e se preparar para o mercado é o melhor que você tem a fazer, se realmente quiser conquistar o seu espaço.