Especialistas defendem menos encargos trabalhistas e mais empregos

Segundo economistas, a medida resultaria em mais contratações e, conseqüentemente, em um maior crescimento do Brasil

SÃO PAULO – Com menos encargos trabalhistas, mais empregos poderão ser gerados. A proposta foi defendida na última segunda-feira (23) durante série de debates promovida pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).

Segundo José Pastore, do Conselho de Relações Internacionais, as micro e pequenas empresas são hoje responsáveis por 94,7% das vagas. “Praticamente 60% dos profissionais atuam na informalidade porque as despesas de contratação chegam a 103,64% dos salários”, afirmou.

Crescimento

Já o professor e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Universidade de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, condicionou a ampliação dos postos de trabalho ao crescimento do País.

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Ainda conforme Pochmann, os ganhos de produtividade e as inovações tecnológicas atuais já tornam possível a redução da jornada de trabalho para 12 horas semanais. “Em seu tempo livre, o profissional se dedicaria ao aprimoramento”, afirmou.

Sem flexibilização

Conforme o professor da Universidade Federal de São Carlos Eduardo Noronha, o Brasil precisa investir na qualificação de mão-de-obra, e não na flexibilização das leis trabalhistas para se tornar mais competitivo.

“Levantamentos comprovam que as exportadoras brasileiras com retorno superior ao da média nacional pagam melhores salários e benefício superiores aos da média nacional”, justificou.

Transferência de custos

Noronha lembrou ainda da transferência de custos tipicamente governamentais para a folha de pagamento – o que resultou em um aumento dos encargos trabalhistas.

Como exemplo o professor citou o caso do vale-transporte: em vez de resolver o problema nas principais regiões metropolitanas, passou-o à iniciativa privada.