Especialistas apontam erros comuns do trainee e indicam como ele pode se dar bem

Ao longo do processo seletivo, mostre que está antenado, que sabe o que está acontecendo no mundo e seja verdadeiro

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SÃO PAULO – O responsável interinamente pela área de Recursos Humanos do INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial), Bruno Maldonado Turra, conta quais são os principais erros dos trainees durante os processos seletivos, que costumam ser rígidos e disputados. “Durante a dinâmica de grupo, não saber ouvir, ou seja, não escutar o que os outros têm a falar e querer aparecer mais do que os colegas, por achar que a exposição é positiva, é o primeiro deles”, afirma.

Segundo Turra, o candidato precisa saber falar na hora certa. Outro erro comum, ainda na dinâmica em grupo: repetir o mesmo que outros já falaram apenas para mostrar que tem uma opinião ou, por conta da ansiedade, falar algo sem sentido. “Na dinâmica, analisamos o senso crítico do futuro trainee, daí a importância de se expressar de forma lógica, e não aleatória”.

Mais erros

Nos testes escritos, é preciso se atentar aos erros de português. “Enxergamos os erros de português como uma deficiência”, explica Turra. “O trainee pode, futuramente, ocupar um cargo executivo, mas isso não é possível se ele não conhece a própria língua”.

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Ao longo dos processos seletivos do INDG, o responsável pelo RH da empresa presta muita atenção a um detalhe: se o candidato está antenado no mundo, atualizado. Isso porque, caso aprovado, ele irá trabalhar como consultor de empresas.

“Principalmente, ele deve estar por dentro dos assuntos ligados à gestão empresarial e à macroeconomia, pois as empresas sofrem tanto com o cenário interno quanto com o externo. É preciso saber como a gestão empresarial afeta o macro e vice-versa”, explica.

Por fim, ele afirma que é importante o candidato se informar a respeito da atividade, dos valores e das crenças da empresa na qual pretende trabalhar, antes de participar do processo seletivo, e ser verdadeiro durante a entrevista. “Quando alguém tenta vender o que não é, fica parecendo artificial e os profissionais de RH conseguem detectar isso”.

Fui aprovado, e agora?

Para quem foi aprovado em um processo de seleção de trainees, terá que se atentar ao comportamento. Isso porque as empresas queixam que muitos trainees chegam à empresa com uma atitude arrogante.

“Os processos seletivos para trainees costumam ser bastante rigorosos e criteriosos. Muitas vezes, a própria empresa reforça que o escolhido deixou 15 mil candidatos para trás, por exemplo. Tudo isso faz com que algumas pessoas cheguem à empresa com uma postura arrogante. Elas pensam: se passei por tudo isso, significa que sou diferente dos outros aqui dentro”, explica a consultora da Cia. de Talentos, Taís Amaral.

Taís atende a grandes empresas e lembra: “o que as organizações mais buscam hoje, em um profissional, é a humildade, o relacionamento interpessoal e a facilidade para trabalhar em grupo. As competências técnicas podem ser aprendidas em cursos, mas as comportamentais, não. No caso de um trainee, a empresa avalia o quanto a pessoa vai conseguir se desenvolver para, futuramente, assumir uma posição de liderança”.

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Segundo ela, ao longo do programa de trainees, os gestores observam como o trainee se relaciona com as pessoas, se ele ouve o próximo, assume que tem a aprender e se dispõe a isso. “Por mais que o profissional tenha uma bagagem interessante da faculdade, se a postura é arrogante ao longo do programa, as chances de contratação diminuem. Com alguns perfis, dá para trabalhar e mudar esse comportamento, com outros, não”.

“A gente vê muito hoje, nas empresas, pessoas tecnicamente excelentes, mas que são demitidas porque não criam vínculos com os outros funcionários. É importante ser flexível quanto as suas opiniões e crenças, saber ouvir a opinião alheia e se comunicar, porque uma empresa precisa de todos seus colaboradores para funcionar”, finaliza ela.