Escolas apostam na formação de jovens investidores

Adolescentes recebem aulas de economia e finanças, e aprendem a administrar contas, investir na Bolsa e a planejar a própria aposentadoria

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SÃO PAULO – Na Inglaterra, o currículo básico das escolas públicas inclui educação financeira há pelo menos cinco anos. Nos EUA, os jovens começam desde pequeno a cuidar da saúde de seu bolso e conhecem tudo sobre fundos de investimento, bolsa de valores, seguros e financiamentos. O mesmo acontece com outros países europeus.

No centro do capitalismo, a garotada vem sendo educada de uma forma cada vez mais agressiva e não é difícil ver avós dando um lote ações de presente a uma neta no dia de seu aniversário.

No Brasil, ao contrário do que muitos pensam, com a estabilidade econômica tornou-se possível administrar melhor nossas finanças e começar planejar de maneira mais efetiva a aposentadoria. E isso vem se refletindo na educação de crianças e adolescentes, que de um tempo para cá, estão recebendo aulas de economia e matemática financeira dentro da própria escola.

Acabando com o medo e o preconceito

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Eles fazem cálculos de taxa de retorno, montam carteiras de investimento, analisam sua propensão ao risco e assistem a palestras de professores sobre a conjuntura econômica. E obviamente a maioria deles nem tirou ainda a carteira de trabalho. Antes mesmo de ingressar no mercado, adolescentes brasileiros de famílias abastadas vem recebendo instruções de como administrar a mesada, e se preparam para um dia cuidar de um volume de recursos muito maior.

A iniciativa não poderia ser melhor. Ensinar logo como lidar com dinheiro é a melhor forma de criar adultos responsáveis e financeiramente equilibrados. Quanto melhor um jovem souber lidar com essas questões financeiras, menor será a probabilidade de enfrentar problemas no futuro.

A novidade é que vários colégios estão oferecendo aulas e palestras bastante agressivas, com estratégia focada em transformar os jovens em hábeis investidores. Ensinam como construir uma carteira de ações, como acompanhar o sobe-desce da Bolsa e entender todo aquele “economês” e índices do mercado financeiro, que deixam de ser um “bicho-de-sete-cabeças” e passam a fazer parte do cotidiano da garotada.

Cuidados na abordagem do tema

Por outro lado, ensinar a adolescentes a cuidar do próprio dinheiro pode não ser uma tarefa tão simples. Não se pode esquecer que o fator-dinheiro envolve questões muito importantes na sociedade, e por isso deve ser encarado com bastante atenção. Ao mesmo tempo em que nessa faixa etária o jovem está adquirindo conceitos e noções de responsabilidade material, traumas relacionados a esse assunto, nessa fase, podem deixar seqüelas para o resto da vida.

Isto porque um artigo publicado numa grande revista semanal dizia que numa escola em São Paulo, um professor que ensinava estratégias de investimento, dava a nota em função do desempenho da carteira virtual montada por cada um deles. O ponto negativo dessa atitude está no estímulo à competição entre os alunos e na atribuição do sucesso financeiro a desempenhos no curto prazo.

O objetivo de qualquer programa desenvolvido por escolas no País deve estar voltado para a cristalização de conceitos econômicos básicos e um certo domínio do funcionamento do mercado financeiro. No entanto, o mais importante é gerar adultos equilibrados, que saibam administrar bem suas contas e tenha capacidade para planejar sua vida financeira a partir de determinadas metas pessoais.

Existem pessoas que não querem nem saber de correr riscos, ainda mais quando eles são financeiros. São avessas a índices econômicos e a contas que fogem das convencionais somas e multiplicações. Nesse caso, a estratégia deve ser elaborada no sentido de banir o preconceito e o medo desses potenciais investidores. Não é preciso formar nenhum guru no mercado. Se o aluno tiver aptidão, certamente irá para uma boa escola de Administração de Empresas ou Economia. A maioria deles quer apenas ter uma vida financeira saudável no futuro.