Entre colegas de trabalho: clubes de investimento chegam às empresas

Profissionais se unem para formar um grupo que investe em ações na bolsa de valores; saiba mais sobre como funciona

SÃO PAULO – Você divide sua vida profissional e, às vezes, até mesmo a vida pessoal com os colegas de trabalho. Mas já pensou em inclui-los na sua vida financeira? Pois saiba que existem brasileiros que estão fazendo isso, por meio dos clubes de investimento.

A definição dada pela própria Bolsa de Valores aos clubes é de uma aplicação financeira criada por um grupo de pessoas que desejam investir em ações das empresas de capital aberto. A grande novidade é que este grupo não está limitado apenas a familiares e amigos, podendo se estender a colegas de trabalho e de profissão.

De acordo com o diretor comercial da SLW Corretora, Robson Queiroz, os clubes começaram a se disseminar nas empresas por iniciativa da bolsa de valores, que tem um programa de popularização, mas muito mais por causa das próprias corretoras. “Às vezes, alguém da empresa dá a ideia, procura uma corretora e, a partir daí, forma o clube”, explicou.

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A ideia
Para se ter uma ideia da disseminação dos clubes, os registros somaram 73 em fevereiro, fazendo com que a bolsa encerrasse o segundo mês do ano com 3.034 clubes. O patrimônio líquido total era de R$ 13,80 bilhões e o número de cotistas chegou a 138.869.

“O clube já está bem disseminado no eixo Sul e São Paulo-Rio, mas a gente quer levar isso para o resto do País”, afirmou Queiroz, para quem uma das formas de fazer isso é por meio das empresas.

Segundo ele explicou, existe uma boa receptividade das empresas em relação à ideia, porque a abordagem das corretoras é apenas de fazer uma palestra e explicar o que é este mercado, sem compromisso. Depois disso, os profissionais pensam e avaliam se, no caso deles, vale a pena. “A gente leva a cultura de investir para as pessoas”.

Clube nas empresas
Os clubes de investimento em empresas funcionam da mesma forma daqueles que são formados por familiares e amigos. Normalmente, escolhe-se um representante, que é alguém com mais expressão dentro da companhia ou com mais tempo de casa. O RH (recursos humanos) ajuda bastante neste processo e é a área com a qual as corretoras costumam entrar em contato para promover palestras e explicar o que é a bolsa e os clubes.

O grande receio das pessoas, no entanto, é o que acontecerá caso elas troquem de emprego. Segundo Queiroz, o que se indica ao clube é que ele não fique restrito aos atuais funcionários da empresa. Dessa forma, quem troca de posto no mercado de trabalho pode continuar a contribuir para a aplicação, se lhe for conveniente. Porém, em alguns casos, o clube é fechado e, então, ao sair da empresa, a pessoa deve resgatar seu dinheiro.

Os clubes fechados são mais comuns no funcionalismo público, uma vez que casos de demissão ou de troca de emprego são mais difíceis, pela estabilidade que esses profissionais possuem. Somente em casos mais extremos, como o de exoneração, é que a pessoa deve deixar de participar do clube.

Uma outra dúvida em relação ao clube nas empresas é que se fala que, para ele existir, as pessoas devem ter objetivos comuns ou ao menos concordar em grande parte, quando o assunto são os investimentos. Em uma empresa, porém, o público é bastante diferente, já que existem desde pessoas em início de carreira e com um salário menor até o executivo de ponta. Isso prejudica?

Perfil de investimentos
Na opinião de Queiroz, a diversidade de ideias é bastante benéfica para um clube de investimento, para que aconteça a discussão. “Isso balanceia o grupo”, ponderou, exemplificando que o jovem normalmente é mais agressivo e está mais disposto a correr riscos, enquanto o mais velho é mais sensato e passa a ideia de mais conservadorismo. Ter um mesmo comportamento o tempo todo pode não ser o mais interessante, pois se perdem oportunidades.

Os clubes são mais indicados para os profissionais que querem aplicar na bolsa de valores, mas não possuem conhecimento suficiente para isso. Assim, seria melhor participar de um grupo de discussão, para depois tentar montar uma carteira pessoal, se lhe interessar. Confira abaixo outras vantagens dos clubes:

  • Existe a possibilidade de investir um valor menor e ter um portfólio mais diversificado, o que reduz riscos;
  • No clube, os custos de investimento são menores, já que são repartidos entre as pessoas que participam dele;
  • Todos os cotistas têm conhecimento e podem opinar sobre a carteira, diferentemente do que acontece em um fundo de investimento;
  • É uma possibilidade de aprender a investir no mercado de ações antes de montar uma carteira sozinho.

Em relação ao valor para investir, Queiroz disse que, no caso de sua corretora, é exigido um patrimônio de R$ 100 mil inicial, a ser conquistado pelo clube no prazo de seis meses. Quanto mais participantes, menor será o esforço inicial.

Como criar um clube?
Para criar um clube de investimento, os profissionais vão precisar de um administrador – que pode ser uma corretora. O número mínimo de participantes é três e o máximo, 150. Não existe nenhuma restrição quanto à participação: basta ter um CPF (Cadastro de Pessoa Física). Até crianças podem ser cotistas!

O próximo procedimento é a elaboração de um estatuto com as principais regras: quem pode participar, prazo mínimo de resgate, investimento mínimo e outras. Depois, é só registrar um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), nomear o gestor e o administrador e cadastrar o clube na Bovespa.

Os participantes têm direito de opinar sobre qualquer mudança no estatuto do clube de investimento. Quando isso ocorre, realiza-se uma Assembleia Geral. Tudo o que é decidido na assembleia, por votação, é apresentado aos participantes na forma de um documento.

A assembleia serve ainda para a apresentação anual do balanço. Ela pode ser realizada uma vez por mês ou em convocações extras, caso seja necessário.

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