Entre 2000 e 2005, a cada seis admissões na Indústria, uma era de primeiro emprego

Segundo Sebrae, empresas do setor preferem pessoas no reemprego e ainda pagam mais por estes trabalhadores

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SÃO PAULO – Os profissionais com experiência profissional saem na frente na busca por uma colocação na indústria brasileira. Isso é o que mostra a pesquisa “Caracterização das Admissões na Indústria”, elaborada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e divulgada nesta quinta-feira (26).

De acordo com os dados, a cada seis trabalhadores contratados para a indústria brasileira entre os anos de 2000 e 2005, apenas um não tinha experiência profissional. Somente em 2005, 83,6% das contratações eram de trabalhadores com experiência.

Além de terem mais chances em ocupar uma vaga, os trabalhadores experientes ainda ganham 30% a mais, em média, do que os inexperientes. Enquanto isso, 60% das pessoas sem nenhuma passagem no mercado de trabalho recebem, no máximo, 1,5 salário mínimo.

Dificuldades aumentam

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Quem procura o primeiro emprego tem mais dificuldades e parece que está realidade se torna cada vez mais dramática. Enquanto em 2000 as admissões de pessoas sem experiência da indústria eram de 18,3% do total, este mesmo número passou para 16,4% em 2005.

De acordo com o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Saboia, a dificuldade de o jovem encontrar o primeiro emprego é mundial, já que as empresas têm mais disposição em contratar pessoas com experiência. “O trabalhador de primeiro emprego não tem experiência e exige treinamento“.

Oportunidades estão no Sul-Sudeste

A pesquisa mostrou que existem alguns setores industriais mais dispostos a dar oportunidades para quem procura o primeiro emprego. Entre eles, estão os de madeira, mobiliário, têxtil, vestuário, calçados, alimentos e bebidas, os quais tiveram contratações acima de 20% de pessoas que buscavam o ingresso no mercado de trabalho.

Com relação à análise regional, o emprego industrial se concentra no Sul, que contratou 22,5% das pessoas no primeiro emprego, e Sudeste, que admitiu 44,5% desta mão de obra. São Paulo é o estado que mais contrata pessoas nesta condição (25% do total das admissões), enquanto Tocantins (0,5%) e o Amazonas (1,8%) foram os que menos admitiram.

Homens são maioria no primeiro emprego

Homem, jovem e com maior escolaridade. Este é o perfil da maioria dos trabalhadores que conseguiu o primeiro emprego entre os anos de 2000 e 2005. Com relação à idade, mais da metade (52,2%) dos contratados tem entre 18 e 24 anos, segundo dados de 2005.

A maior parte das vagas é destinada às pessoas com ensino médio completo, com representação de 27% das admissões de 2005. Ainda de acordo com a pesquisa, para os trabalhadores com baixa escolaridade, as possibilidades são mais limitadas.

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Os trabalhadores com experiência são, em sua maioria, homens (79,6%). Outro dado mostrado pelo estudo é que 40% deles não têm ensino médio completo e 29,3% dos admitidos no reemprego têm entre 18 e 24 anos.