Entidades sem fins lucrativos pagam melhores salários que empresas em geral

Pequisa inédita do IBGE mostra que o número de organizações cresceu 157%, e que elas pagam um total de R$ 17,5 bilhões

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SÃO PAULO – O Brasil tem 276 mil instituições privadas sem fins lucrativos. Elas empregam 1,5 milhão de pessoas e pagam, entre salários e outras remunerações, R$ 17,5 bilhões. Tais organizações são ao mesmo tempo voluntárias, autônomas e privadas, formadas por cidadãos reunidos livremente em torno de objetivos comuns.

Os dados fazem parte do estudo inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), divulgado nesta sexta-feira (10). O levantamento contou com o apoio da Associação Brasileira de Organizações não-governamentais (ABONG) e do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).

Remuneração das empresas sem fins lucrativos

A pesquisa mostra que a média dos salários de trabalhadores de empresas sem fins lucrativos, 4,5 salários, tende a ser um pouco maior que a média de 4,3 salários mensais dos empregados de empresas em geral, públicas, privadas lucrativas e não-lucrativas.

Segundo o estudo, os salários costumam ser, de modo geral, maiores conforme o tamanho das organizações. As de maior porte como hospitais, escolas e universidades, costumam demandar mão-de-obra mais qualificada, e assim são obrigadas a pagar mais.

Os que trabalham em organizações religiosas, por exemplo, recebem 2,9 salários, metade dos 6 salários mínimos de quem trabalha na educação. A maior desigualdade salarial é entre os trabalhadores de empresas de defesa dos direitos, que recebem, na área de treinamento, 10 salários mínimos mensais, em oposição aos 2 salários dos trabalhadores de associações de bairro.

Para os assalariados de organizações que trabalham com meio ambiente, a remuneração é acima da média, chegando a 5,2 salários mensais. Também quem está na folha de pagamento de entidades de educação superior, faculdades e universidades,
ganham 7,6 salários, o triplo dos empregados em instituições de educação infantil.

Já os funcionários de instituições ligadas a arte, que recebem 7 salários mínimos, ganham mais do que quem trabalha em áreas ligadas a esporte e lazer, com 3,5 salários mínimos.

Mão-de-obra cresce menos que número de organizações

A mão-de-obra teve aumento significativo, 48% entre 1996 e 2002. Mas foi menor que o crescimento de 157% no número de organizações no mesmo período. Isso acabou por diminuir o tamanho dessas entidades. As maiores expansões em termos de tamanho da empresa e de empregos aconteceu, justamente, naquelas que aumentaram em número.

Foi o que aconteceu com as entidades de defesa de direitos, que tiveram aumento de 79% no emprego. As associações de moradores e as organizações de defesa de direitos de grupos e minorias, por exemplo, dobraram seus recursos humanos em seis anos (135% e 111% respectivamente). O crescimento ocorreu também nas associações patronais e profissionais (72%) e nas de meio ambiente (65%).

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As entidades que prestam serviço na educação contrataram mais 146 mil trabalhadores, um aumento de 49% de 1996 a 2002. Por sua vez, as faculdades e universidades registradas como sem fins lucrativos aumentaram as contratações em 85%, com 90 mil novos trabalhadores.

Já o ritmo de contratações em áreas como cultura e saúde foram bem menores, de 9% e 35%, respectivamente. O menor crescimento foi das entidades de esporte e recreação, que contrataram apenas 2 mil pessoas, o equivalente a uma elevação de apenas 2%.