Empresas que pagam melhor têm mais lucros e lugar no mercado internacional

A conclusão do estudo derruba o dogma que atribui a falta de competitividade ao peso dos encargos trabalhistas

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SÃO PAULO – De acordo com um estudo feito pelo professor Eduardo Garuti Noronha, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), as empresas brasileiras que pagam melhores salários e benefícios superiores aos definidos por lei têm maior penetração e lucratividade no mercado internacional.

Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, periódico da Associação Comercial de São Paulo, o levantamento revela que as empresas que gastam mais com os funcionários são também as que mais investem em inovações e na qualificação de sua mão-de-obra.

“Na competição internacional, os diferenciais da qualidade e inovação são mais importantes do que os custos, principalmente os trabalhistas, que estão diretamente associados à qualificação dos empregados”, disse Noronha.

Encargos trabalhistas

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Segundo o professor da Ufscar, a conclusão do estudo derruba o dogma que atribui a falta de competitividade da indústria exportadora ao peso dos encargos trabalhistas.

Isso porque as empresas que investem em inovações comprometem 10% dos encargos trabalhistas com benefícios aos funcionários, enquanto as não inovadoras comprometem 8,7% dos gastos com pessoal para o mesmo fim.

Informalidade

Entretanto, considerando o mercado interno, há um consenso de que os encargos trabalhistas são responsáveis pelo crescimento da informalidade, que atinge 60% dos trabalhadores.

E para o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), José Pastore, as micros e pequenas empresas deveriam ter legislações trabalhistas voltadas exclusivamente para suas realidades, como o Simples Trabalhista.

“Hoje, só se pode negociar salário e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A idéia seria estender as negociações a pontos como fundo de garantia ou o horário noturno, mas sem mexer na previdência”, disse Pastore.