Empresas buscam acordo com sindicatos para a flexibilização do emprego

Vice-presidente da Fiesp afirma que lideranças estão "aparando as arestas" para assinar propostas na próxima semana

SÃO PAULO – A crise financeira não escolheu setor da economia brasileira para despejar seu caráter mais sombrio à sociedade: o desemprego. Os dados do Ministério do Trabalho mostrando redução de cerca de 655 mil postos de trabalho em dezembro despertaram lideranças de diversas origens para o problema.

Apesar de leves sinais de melhora em alguns setores neste início de janeiro, a indústria da transformação vive o panorama mais grave. Pivô das demissões nos últimos meses, a categoria preocupa. Com menor produção, as empresas reduzem custos. Quando o dominó chega à mão-de-obra está desenhado um impasse.

De um lado, empresários forçados a clamarem por alternativas de flexibilização trabalhista e, de outro, trabalhadores temendo mudanças em seus empregos. “A agenda positiva do emprego passa, sobretudo, pelo fortalecimento das negociações entre as partes envolvidas”, interpreta Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

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O vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Nildo Masini, afirmou que o debate está ajudando para “aparar as arestas”, liberando confiança: “esperamos assinar acordo com sindicatos no começo da semana que vem”.

Entrave

Um dos pontos geradores de polêmica entre centrais sindicais e empresários é a proposta de redução da jornada de trabalho. Por exemplo, reduzir a carga horária em 25% e realizar redução do salário em 25%. O funcionário não perderia o emprego, mas ganharia apenas 75% da sua remuneração.

Segundo Masini, a idéia não é tirar direito do trabalhador. “Há instrumento legal para redução de jornada com redução de salário. Como existe instrumento legal para suspensão do contrato de trabalho, como para fazer a licença remunerada, como para férias coletivas. Isso precisa ficar claro”, afirma.

Acrescenta que os empresários lutam para manter os empregos com uma certa redução do salário, porque as empresas estão com a produção reduzida. “Estamos querendo pagar as horas que ele irá trabalhar”, aponta. Masini destaca que as alternativas variam conforme as características de cada empresa.

A Vale (VALE3, VALE5), por exemplo, comunicou que na quinta-feira fez proposta aos sindicatos de mineração de minério de ferro de Minas Gerais e do Mato Grosso do Sul para licença remunerada, se comprometendo a garantir os empregos até 31 de maio de 2009, tanto para quem aderir à proposta quanto para quem continuar em atividade.