Empresário tem mais dificuldade para pagar décimo terceiro em 2002

SIMPI estima que cerca de 29% dos empresários terão dificuldades, quase o dobro do ano passado (15%)

SÃO PAULO – As pequenas empresas devem ter mais dificuldades para pagar o décimo terceiro salário para seus funcionários neste ano. Pelo menos é o que sugere uma pesquisa feita pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo (Simpi). A maior pressão no caixa das pequenas empresas reflete a crise econômica do país, uma vez que o aumento da inflação e dos juros prejudica as vendas nesta época do ano.

Cerca de 29% terão dificuldades

Enquanto em 2001, apenas 15% das empresas consultadas pelo Simpi tiveram dificuldades para pagar o décimo terceiro, neste ano este percentual quase que dobrou, ao subir para 29%. Na opinião do diretor de crédito do Simpi, Carmino Forccina, é provável que o percentual seja ainda maior, uma vez que alguns empresários não admitem enfrentar dificuldades financeiras.

Também contribuiu para esta situação o fato de que as condições oferecidas pelos bancos nas linhas de financiamento de décimo terceiro terem piorado, com os bancos ficando ainda mais seletivos na hora de emprestar dinheiro.

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Dentre as empresas que pretendem pagar em dia o décimo terceiro (71% do total), Forccina estima que cerca de 68% devem usar recursos próprios, enquanto cerca de 5% devem tentar outras alternativas, como negociação com fornecedores. Por sua vez os 27% que pretendem levantar financiamentos terão que se planejar bem, para não acabar inadimplentes, uma vez que os juros cobrados, além de serem pós-fixados, variam entre 1,89% e 3,10% ao mês, mais a variação da TR. Isto sem falar no fato de que os bancos devem exigir mais garantias na hora de conceder os empréstimos, dificultando ainda mais a situação do pequeno empresário.

Negociação com sindicato

Para as empresas que realmente não têm condições de pagar o décimo terceiro, a solução mais provável, segundo Forccina, é tentar uma negociação com os sindicatos e o trabalhador na tentativa de obter um maior parcelamento.

A legislação trabalhista prevê que o décimo terceiro seja pago em duas parcelas, a primeira em novembro e a segunda até o dia 20/12. Desta forma, o pagamento em um número maior de parcelas muitas vezes é a única saída para que a empresa continue operando sem ter que demitir funcionários.

Como a maior parte das pequenas empresas atua em setores mais sensíveis ao consumo, tendem a ser duplamente afetadas pela crise, pois sofrem com a maior dificuldade de acesso ao crédito e com a queda nas vendas. Para quem não tem caixa suficiente, levantar financiamento custa caro demais e pode comprometer o caixa dos próximos meses, enquanto a negociação com os funcionários é particularmente difícil.