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Startup torna processos seletivos menos chatos e atrai millennials para as empresas

Usando inteligência artificial e descontraindo os processos seletivos, a Matchbox está mudando o mercado de trabalho 

Processo seletivo
(Shutterstock.com)

SÃO PAULO – O mercado de trabalho passa por diversas mudanças, que vão desde os diversos avanços da tecnologia até a entrada dos jovens millennials nele. Todas têm feito com que as empresas se adaptem a novas tendências, mudando sua cultura corporativa, flexibilizando horários e inovando na forma como realizam o processo seletivo.

De acordo com o CEO da consultoria de recursos humanos Matchbox, Kleber Piedade, nesse contexto é necessário mudar hoje a “forma como os jovens e as empresas se conectam”, o que começa já no processo seletivo. “A experiência do candidato no processo seletivo normalmente não é boa, principalmente para esse jovem que tem aspirações e expectativas diferentes da empresa”, disse.

A proposta da empresa é exatamente de revolucionar esses processos, através do uso de inteligência artificial. Os candidatos podem inscrever-se para determinada vaga através de uma conversa com chatbot, sem a necessidade de enviar um currículo pronto; os testes de lógica são substituídos por jogos que praticam a “gamificação”, todos montados a partir das necessidades de cada empresa, avaliando as habilidades dos jovens; e os testes de inglês também são feitos através do chatbot.

Isso permite sempre avaliar o candidato de acordo com as competências desejadas pela empresa – ou seja, caso durante a “conversa” seja identificado que o nível de inglês do usuário não é o desejado, a seleção já é finalizada.

A empresa também soluciona a falta de feedback para os candidatos, que muitas vezes não sabem qual foi seu desempenho e não recebem nenhuma resposta. Através de uma “área do candidato” disponível no site, é possível verificar de quais processos seletivos ele está participando e em qual fase ele se encontra.

“Nós percebemos que os jovens estão mais abertos a esse tipo de processo seletivo. Também vimos uma necessidade do próprio mercado: tudo mudou, menos a forma como são feitos os recrutamentos para empresas”, disse Kleber.

Ainda existe um desencontro de expectativas entre candidato e empresa, outro problema que a Matchbox tenta solucionar. Os candidatos não têm uma imagem transparente e verdadeira da empresa e, quando são selecionados para determinada vaga, veem que ela não é o que esperavam – e esse é o principal fator que causa o aumento na taxa de rotatividade das empresas, principalmente por parte dos millennials.

“As empresas ainda não aprenderam a reter talentos, o que no mercado de hoje é indispensável. E como essa geração é de jovens com uma postura questionadora, que querem desafios constantes e empreender projetos próprios, eles estão abertos a trocar de emprego por isso”, explicou o CEO.

A diversidade é mais uma tendência para o mercado: segundo Kleber, a Matchbox já pratica o chamado “currículo cego”, em que o gênero do participante e sua idade são ocultados e somente suas habilidades e experiência são avaliadas. “A diversidade é marca das empresas mais admiradas e bem-sucedidas do mercado, então vemos que as empresas precisam pratica-la”, disse.

Essa forma de recrutar, segundo Kleber, é admirada por todos os profissionais, não somente o jovem. “Eles perdem menos tempo, têm inúmeras vantagens e ainda conseguem se identificar mais com a empresa. Acho que isso é o mais importante”, disse. 

 

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