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SÃO PAULO – No Brasil, entre 2007 e 2009, a taxa de rotatividade no mercado de trabalho foi em média de 36%, considerando apenas os desligamentos por iniciativa da empresa.
Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a pedido do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), e divulgado nesta sexta-feira (17).
A pesquisa revela que aproximadamente dois terços dos vínculos empregatícios são interrompidos antes de completar um ano.
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Os desligamentos com menos de seis meses superam 40% do total dos vínculos desligados em cada ano, sem que metade desses vínculos atinja três meses de duração. Além disso, quase 80% dos desligamentos são de vínculos com menos de dois anos de duração.
Motivos
A principal causa dos desligamentos de profissionais no País é a iniciativa da empresa, que demite seus colaboradores sem justa causa, com mais de 50% do total.
Em segundo lugar, aparece o término do contrato de trabalho, que fica em torno de 20%. Os desligamentos com justa causa por iniciativa do empregador são de aproximadamente 1,3%.
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Em relação ao tipo de contrato, 85% das demissões são em contratos por tempo indeterminado. Os contratos temporários representam 6% do total de desligamentos.
Legislação flexível
O MTE apontou ainda que em sete anos o total de vínculos empregatícios cresceu 43,66%, atingindo 41,2 milhões em 2009.
De acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, os resultados revelam que a legislação trabalhista brasileira já é flexível. “Cerca de 20 milhões de trabalhadores tiveram vínculos quebrados de 2002 a 2009. É uma prova concreta do que eu defendia apenas como tese: a flexibilização no Brasil já existe. Se fosse caro demitir, os empresários não demitiriam tanto”, disse.
Tempo no trabalho
Sobre a permanência do profissional brasileiro em um mesmo emprego formal, a pesquisa afirma que é cerca de quatro anos. Os vínculos ativos em dezembro de cada ano com menos de 2 anos de tempo de emprego passaram de 44% para 50% nesta década.
Já os que têm duração de dois a cinco anos caíram de 21,8% para 21%. Os vínculos com duração de mais de cinco anos tiveram uma redução na sua participação, passando de 34% para 29%.
O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, explica que a rotatividade no Brasil é pró-cíclica. “À medida que cresce a geração de emprego, cresce a rotatividade. Se há mais gente trabalhando, há mais vínculos firmados e mais rotatividade”, finaliza.