Empregados com mais de 45 anos devem ocupar 47% do mercado de trabalho

Diante do envelhecimento da População Economicamente Ativa, Ipea pede flexibilização das leis trabalhistas

SÃO PAULO – Os trabalhadores com mais de 45 anos devem ocupar 47% da População em Idade Ativa (PIA) nos próximos anos. A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, na última quarta-feira (9).

Ainda segundo o documento “Brasil, o Estado de uma Nação”, a participação da PIA no total da população passará de 70% para 81%, mantendo a tendência de envelhecimento do mercado de trabalho.

Maior expectativa de vida

O estudo tem como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) sobre a taxa de fecundidade. Em 2030 (prevê o estudo), a taxa de crescimento será de apenas 0,5%, a população se aproximará de 225,3 milhões e a taxa de mortalidade será reduzida.

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A expectativa de vida entre os homens deverá chegar aos 77,3 anos nas áreas urbanas e aos 72,6 anos no campo, enquanto a expectativa para as mulheres será de 86,1 anos na cidade e de 81,6 na zona rural.

De acordo com o Ipea, será justamente esse envelhecimento da população que flexibilizará o mercado de trabalho em favor de uma PEA mais madura, “mais sujeita, portanto, a riscos físicos e com menores agilidade e força física”.

Flexibilização das leis trabalhistas

Segundo os analistas do instituto, será preciso providenciar ajustes no mercado, como mudanças na aposentadoria, e flexibilizar a legislação trabalhista hoje em vigor.

Como justificativa, o levantamento diz que há incoerências entre regras da Constituição de 1988 e o processo de abertura econômica. Segundo o documento, as instituições do mercado de trabalho não acompanham os investimentos e a competitividade que as empresas precisam para gerar empregos em quantidade e qualidade adequados para reduzir a informalidade, atribuída à elevação do custo da mão-de-obra e aos encargos trabalhistas, especialmente das pequenas empresas.

Burocracia

O estudo também cita uma pesquisa do Banco Mundial feita com 155 países, na qual o Brasil aparece entre as 10 nações com maior número de procedimentos e os prazos mais longos para se abrir uma empresa.

O País também figura entre os dez que mais regulamentam obtenção de alvará, e está entre os que impõem maiores custos sobre as demissões e aqueles de menor flexibilidade na contratação.