Empregadores: o que eles pensam do envelhecimento da mão-de-obra?

Apesar de temerem a perda de conhecimento, maioria ainda não adotou medidas para evitar que isso aconteça

SÃO PAULO – Em seu estudo sobre o
Futuro da Aposentadoria
, divulgado na última quarta-feira (26), o HSBC também procurou identificar o que pensam os empregadores do envelhecimento da população, e quais os impactos desta tendência no mercado de trabalho.

Empregadores e funcionários parecem compartilhar a visão de que a idade não compromete a atuação do profissional. Segundo o estudo, a maior parte das pessoas, independente de faixa etária, rejeita o conceito de aposentadoria compulsória. Desde que tenha condições de continuar trabalhando, as pessoas devem se manter ativas.

Confiáveis e leais

A idade é avaliada pelos empregadores como um fator que contribui para a lealdade e confiabilidade do funcionário: cerca de 90% dos entrevistados acreditam que os trabalhadores mais velhos são mais confiáveis e leais que seus colegas mais jovens. No Brasil esse percentual é ainda maior, e supera os 95%.

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Os trabalhadores mais velhos são considerados pelos empregadores como “tão produtivos ou motivados” quanto os mais jovens. A exceção fica apenas por conta da adesão às novas tecnologias em que pouco menos da metade acreditam que os idosos são menos capazes que os jovens.

No Brasil 80% dos empregadores acredita que os funcionários mais velhos são tão capazes quanto os mais jovens. Mas, ainda que 70% deles afirmem que seus funcionários mais velhos são tão tecnologicamente orientados como os jovens, cerca de 54% acreditam que não são tão rápidos em aprender novas tecnologias.

Flexibilidade para os mais velhos

Ainda que a melhora da qualidade de vida tenha aberto espaço para que as pessoas se mantenham na ativa por mais tempo, os mais velhos buscam maior flexibilidade dos empregadores. Apesar disso, apenas um terço dos empregadores afirma que os funcionários mais velhos são menos flexíveis. No Brasil esse percentual é maior: de 39%.

Porém, os empregadores parecem não estar preparados para oferecer mais flexibilidade. Apenas 37% dos empregadores mundiais oferecem oportunidades para que os mais idosos busquem novos tipos de trabalho. Percentual ainda menor (29%) afirma oferecer uma carga horária menor. No Brasil ainda que apenas 15% dos empregadores oferecem uma jornada mais curta aos trabalhadores mais velhos, cerca de 52% afirma apresentar a oportunidade de uma trabalho fisicamente menos desgastante.

Conhecimento vs. novas oportunidades

A boa notícia é que 66% das empresas oferecem a esses funcionários a oportunidade de treinar os mais jovens, o que deve ajudar na retenção do conhecimento e na própria preservação da cultura da empresa. No Brasil esse percentual é ligeiramente menor de 59%.

Quando perguntados sobre qual o aspecto mais importante da saída dos funcionários mais velhos, 51% afirmaram que é a perda de conhecimento e habilidades e 41% a abertura de novas oportunidades aos mais jovens. No Brasil verifica-se tendência distinta: 56% afirmam que o maior impacto é a abertura de novas oportunidades aos jovens e 39% a perda de conhecimento.

Custo ainda é fator limitador

Um terço dos empregadores não considera importante a atração ou contratação de funcionários mais velhos. No Brasil esse percentual é menor de 28%. Cerca de um quarto dos entrevistados, no Brasil e no mundo, afirma que um fator que pesa nesta decisão é o fato de que os funcionários mais velhos custam mais.

Um quarto dos entrevistados mundiais acredita que as exigências físicas do emprego dificultam a contratação de pessoas acima de certa idade. No Brasil esse percentual é maior: de 35%.

Apesar disso, o conhecimento específico é valorizado: 63% dos empregadores afirmaram tentar manter os funcionários com habilidades difíceis de serem substituídas. No Brasil esse percentual é de 67%.

Responsabilidade é do governo

É interessante notar que uma parcela maior dos empregadores (43%) acredita que os governos devem arcar com a maior parte dos custos de aposentadoria do trabalhador. Entre os trabalhadores, esse percentual é de 30%.

Nesta questão os empregadores brasileiros parecem divergir drasticamente dos seus colegas no resto do mundo: 84% dos nossos empregadores afirmam que cabe ao governo arcar com a maior parte dos recursos de aposentadoria do trabalhador. Esse percentual é bem maior do que o dos indivíduos (52%) que acreditam nisso.

Poupança compulsória é a saída

Empregadores (46%) compartilham com os trabalhadores (37%) a noção de que a poupança compulsória é a melhor solução para a crise da previdência social. No Brasil, os empregadores acreditam ainda mais nesta opção: 72% defendem a poupança compulsória. A poupança compulsória também é a opção preferida pela maioria dos trabalhadores brasileiros (53%).

O estudo conclui afirmando que ainda falta, por parte dos empregadores, um entendimento claro do impacto que o envelhecimento da mão-de-obra terá na produtividade econômica das empresas. Exatamente por isso, ainda não estão sendo adotadas medidas suficientes para garantir a transferência de conhecimento dos funcionários mais velhos para os mais jovens.