Em tempos de crise, como evitar as demissões e manter uma equipe motivada?

Uma das decorrências da crise financeira é a redução da mão-de-obra, mas será que essa é a alternativa mais eficaz?

SÃO PAULO – Uma das decorrências da crise financeira certamente é a redução da mão-de-obra, mas será que essa é a alternativa mais eficaz? E como manter uma equipe motivada,
depois das demissões?

De acordo com o consultor sênior de Capital Humano da Mercer, Willian Bull, dispensar colaboradores para reduzir os custos da empresa nem sempre é a melhor medida a ser adotada.

“Reduzir a mão-de-obra para diminuir os custos da corporação deve ser uma alternativa bem estudada antes de ser aplicada, pois os gastos com as indenizações e, posteriormente, com as recontratações, quando o cenário melhorar, são altos”.

O que fazer?

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Para Bull, há diversas alternativas a serem tomadas a fim de se evitar as demissões, como a redução da jornada de trabalho e o corte das horas-extras.

Ao se esgotarem todas as medidas, a demissão passa a ser a única alternativa para a empresa, naquele momento. O desafio do gestor será manter a equipe motivada. Quais são os critérios a seguir?

“Se a única saída for demitir, o gestor precisa focar na otimização do trabalho. Escolher as pessoas que naquele momento podem responder bem ao trabalho requisitado”.

Além disso, ao diminuir a mão-de-obra de uma instituição, o líder precisa comunicar essa decisão a todos os funcionários de forma clara e objetiva.

“Ele precisa mostrar maturidade e deixar claro o propósito da empresa com as demissões, bem como quais foram os critérios utilizados na demissão”

Métodos

A missão de demitir um profissional não é fácil. Por isso, tanto para o colaborador que deixa a empresa quanto para os seus colegas é necessário que o líder
utilize a razão e o coração.

“O executivo precisa usar o coração explicando o processo para todos, criando um diálogo “olho-no-olho”. Além de ter muita coragem para assumir que essa decisão foi a correta e, ao mesmo tempo, mostrar persistência e habilidade”.

Bull ressalta também que ao cobrar mais produtividade da equipe que permaneceu é preciso depois recompensá-la no futuro.

“Em tempos de crise, as pessoas que se mantêm na empresa costumam se comprometer mais. Porém, quando a turbulência passar, o líder precisa recompensar essa colaboração extra. Caso contrário, a corporação ficará com a imagem de exploradora”.

Como permanecer?

O consultor destaca que existem duas características profissionais que podem fazer a diferença e assegurar o emprego em momentos de crise.

“A opção entre os melhores profissionais é difícil. Por isso, aqueles que apresentarem uma maior flexibilidade, para trabalhar em momentos incertos, e energia serão os mais lembrados pelos gestores”.

Outro profissional que certamente terá o seu espaço garantido são aqueles que tem a posição-chave, ou seja, os colaboradores que possuem alto impacto nas decisões da empresa.

“A crise é recorrente. Logo, a retomada virá a qualquer momento. Diante disso, o executivo precisa estar preparado com uma reserva de profissionais que podem ajudar a companhia tanto nas situações adversas quanto nas ocasiões de prosperidade”.