Em 8 anos, média anual de salários de admissão avança 33%, mostra ministério

Em 2003, a média era de R$ 688, atingindo os R$ 916 em 2011; melhora decorre da política de valorização do salário mínimo

SÃO PAULO – A média anual dos salários de admissão no ano passado mostrou um crescimento de 33% frente aos dados registrados em 2003, segundo revelam dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Se em 2003 a média anual dos salários de admissão foi de RS 688,88, no ano passado o valor chegou a R$ 916,63. Um dos principais elementos responsável por tal evolução foi a política de valorização do salário mínimo, que teve aumento real de 66% desde 2003, segundo pontua o diretor do Departamento de Emprego e Salário do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), Rodolfo Péres Torelly.

O trabalhador também foi beneficiado por fatores como a ampliação do direito à carteira assinada e às garantias trabalhistas. Isso refletiu, inclusive, no aumento da proporção de contribuintes da Previdência Social em relação à população ocupada, que passou de 60,1% em 2003 para 71,9% no ano passado.

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Homens e mulheres
No período que vai de 2003 a 2011, os salários médios de admissão mostraram tendência positiva tanto para os homens, que tiveram um ganho real (descontada a inflação) de 36,32%, quanto para as mulheres, com ganho real de 28,53%.

Entre os estados, boa parte também teve ganho real, a exemplo do Paraná (6,33%), Pernambuco (5,36%) e Pará (5,19%).

O mercado interno foi o elemento-chave para manter o crescimento do País, mesmo em meio à crise financeira internacional, segundo avaliação do Ministério da Fazenda, no Boletim Economia Brasileira em Perspectiva.

A expansão da renda do trabalhador foi o elemento fundamental para tal cenário. Em janeiro de 2012, o salário mínimo passou de RS 545 para R$ 622, o que injetou cerca de R$ 50 bilhões no mercado interno.

Comparando com dezembro de 2011, o comércio varejista começou 2012 com alta de 2,6% nas vendas e de 3,6% na receita nominal. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), responsável pela Pesquisa Mensal de Comércio, divulgado na última sexta-feira (23), o resultado é o melhor desde fevereiro de 2010.

Renda média bate recorde
O rendimento médio do trabalhador brasileiro atingiu no segundo mês deste ano R$ 1.699,70, o valor mais alto desde março de 2002, quando teve início a série histórica da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), também do IBGE.

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O poder de compra de quem tem carteira assinada aumentou 1,2% em comparação com janeiro deste ano e 4,4% em relação a fevereiro de 2011. “Esse recorde foi causado principalmente pelo aumento do salário mínimo, que é o principal indexador de muitos grupamentos de atividades”, diz o gerente da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.