Em 75% das empresas, programa de paridade de sexos não é prioridade

Para 84% das mulheres, essas iniciativas deveriam ser uma obrigação estratégica, ante 48% dos homens que acham o mesmo

SÃO PAULO – A maioria dos homens e das mulheres concorda com os benefícios de paridade dos sexos no ambiente de trabalho. Entretanto, uma pesquisa realizada pela consultoria empresarial Bain & Company revela que 75% das empresas não implantam como prioridade a igualdade entre os sexos no trabalho e 80% não alocam nem fazem investimentos adequados para essa iniciativa.

De acordo com o levantamento, 84% das mulheres acreditam que a paridade entre os sexos deveria ser uma obrigação estratégica, enquanto para os homens o percentual é de 48%.

Estagnação na carreira
A falta de processos estruturados, ações bem-sucedidas e amplo monitoramento da igualdade, em todos os níveis das empresas, são os principais motivos da estagnação de mulheres que almejam cargos de liderança, segundo apontam os autores da pesquisa.

“As empresas precisam desenvolver processos de promoção e planos de carreira menos rígidos, e desestigmatizar os modelos de carreiras flexíveis para que os empregados possam beneficiar-se e ampliar suas aspirações de liderança”, afirma a coautora da pesquisa, Julie Coffman.

Como conquistar a paridade
Para o presidente do conselho da Bain & Company, Orit Gadiesh, é possível conquistar a paridade entre os sexos no ambiente corporativo se os líderes das empresas adotarem uma abordagem sistemática e personalizada para descobrir o que prejudica a trajetória das mulheres nas empresas.

“Você precisa adaptar a empresa: quantas mulheres trabalham para você, em que ponto da carreira elas desaparecem e o que acontece com as promoções. Não se pode corrigir o que não é avaliado”, explica Gadiesh.

Avaliação e monitoramento
As organizações precisam avaliar com precisão a situação atual da paridade entre os sexos e monitorar a evolução dos objetivos da paridade em todos os níveis da empresa.

O estudo aponta que menos de 20% dos entrevistados relataram o emprego eficaz da métrica de paridade entre homens e mulheres, e menos da metade sabia se as suas empresas conduziam avaliações sobre percentual de mulheres contratadas, promovidas ou mantidas em seus cargos.

As empresas também não são eficazes em comunicar ou estimular a participação de seus profissionais no projeto e na contribuição para o programa de paridade. Cerca de 60% das empresas não solicitam informações sobre o desenvolvimento de iniciativas desse tipo, e uma em cada dez não disponibiliza nenhum mecanismo de comentários ou oportunidades para diálogo.

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