Educação: somente 1/4 dos brasileiros escreve e lê com habilidade, revela Inaf 2005

Número de analfabetos caiu no País, mas o desempenho na prática não mudou nos últimos quatro anos

SÃO PAULO – Com o intuito de auxiliar as políticas educacionais no Brasil, o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa mapeiam o nível educacional do brasileiro anualmente.

Na 5ª edição do estudo, foram entrevistadas 2002 pessoas entre 15 e 64 anos, que responderam a um teste com tarefas de leitura e escrita.

O Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) verificou que o número de analfabetos diminuiu entre 2001 (quando ocorreu a primeiro estudo do gênero) e 2005. No mesmo período, a quantidade de alfabetizados em nível básico aumentou, mas o nível de alfabetizados rudimentares e plenos continua praticamente no mesmo patamar.

Situação não mudou nos últimos anos

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Segundo a pesquisa, apenas 26% da população são considerados plenamente alfabetizados, o que significa que somente um quarto dos brasileiros domina as habilidades de escrita e leitura. Esse índice praticamente não variou desde 2001, quando ocorreu a primeira pesquisa do gênero. Dessa parcela da sociedade, 70% têm até 34 anos, enquanto mais de um terço pertence às classes A e B e 60% concluíram o ensino médio.

A estagnação é a mesma para os alfabetizados em nível rudimentar, isto é, que conseguem ler títulos ou frases localizando uma informação bem explícita. Em 2001, 31% dos brasileiros estavam neste nível. Na atual pesquisa, esse número recuou apenas 1 ponto percentual. O estudo informa que 39% dessas pessoas têm entre 15 e 34 anos, 64% delas pertencem à classe D e 57% são negros.

Boa notícia

A boa notícia está na queda do analfabetismo e no crescimento do número de alfabetizados em nível básico.

Em 2001, os analfabetos representavam 9% da população, quatro anos depois, essa parcela corresponde a 7% dos brasileiros, uma queda de dois pontos percentuais. A maioria desse público (60%) estudou de um a três anos, 66% são negros, 81% pertencem às classes D e E, 41% estão desempregados, enquanto outros 41% vivem da agricultura.

No mesmo período, alguns analfabetos e alfabetizados rudimentarmente passaram à condição de alfabetizados em nível básico (conseguem ler textos curtos e pouco complexos). Em 2001, 34% da população tinham esse nível educacional, enquanto em 2005 essa parcela saltou para 38%, uma variação positiva de quatro pontos percentuais. Entre essas pessoas, 40% estudaram entre 4 e 7 anos e 45% estão concentradas nas classes D e E.

Mulheres recebem mais educação

Em todos os níveis educacionais analisados pelo Inaf, as mulheres possuem um nível educacional superior ao do homem.

Eles representam 64% dos analfabetos e 53% delas estão basicamente alfabetizadas; mesmo percentual de mulheres que dominam plenamente os fundamentos da escrita e da leitura. Somente quando a alfabetização rudimentar é analisada, os homens empatam em quantidade com as mulheres.

Maior escolaridade não reflete melhora

Apesar de o nível educacional dos brasileiros ter melhorado entre 2001 e 2005, os resultados dos testes praticamente não variaram. O estudo informa que somente as pessoas com menos de três anos de estudo tiveram melhoria nos resultados. O número de jovens entre 15 e 24 anos que concluíram a 8ª série, por exemplo, passou de 57% para 67% em 2003, mesmo assim o desempenho nos testes permaneceu inalterado.

O Inaf conclui que o déficit educacional no Brasil se deve há motivos históricos. O fato de que muitos adultos não puderam completar o ensino fundamental quando deveriam contribui muito para que jovens abandonem os estudos antes de dominar a leitura e escrita, realidade de 47% da população que não concluiu o ensino fundamental.

“Isso quer dizer que 53% não têm o nível escolar mínimo que a Constituição afirma ser direito de todos os cidadão”, sentencia o levantamento.