Diplomados ocupam cargos de nível médio; veja os motivos e as saídas

É de suma importância, para evitar esse quadro, fazer o planejamento de carreira antes mesmo de terminar a faculdade

SÃO PAULO – A competitividade no mercado de trabalho tem seus sintomas, e um deles é o grupo de profissionais com diploma na mão que ocupam cargos de nível médio. De acordo com a consultora de recursos humanos da Catho Online, Gláucia Costa, isso acontece muito, por vários motivos.

O primeiro é a falta de foco do próprio profissional. Exemplo: durante a faculdade, ele trabalha em uma empresa que oferece inúmeras vantagens em termos de remuneração e crescimento, porém o que faz nada tem a ver com a área de formação. Por comodismo e medo de arriscar, ele não muda de emprego. Conclusão: o diploma é esquecido na gaveta.

“Às vezes, mudar de emprego e começar a carreira na área de formação implica a regressão salarial e no nível hierárquico. As pessoas optam pela estabilidade, porque têm medo de buscar o novo, têm medo do incerto”, analisa Gláucia, que aposta no planejamento de carreira antes do término da faculdade, para que isso não aconteça.

Na área errada sem querer

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Outra razão que leva profissionais a não usar o diploma é a postura das empresas. “Como o estagiário é visto por algumas organizações como mão-de-obra barata, muitos universitários são contratados para desenvolver atividades que não estão diretamente ligadas à área de formação, muitas vezes em âmbito administrativo. E o pior é que eles dificilmente podem migrar de posto dentro da empresa.”

Além disso, existem os diplomados que simplesmente não encontram trabalho. Estamos falando de setores como o administrativo, o financeiro, o de saúde, o publicitário e o de relações internacionais, em que o número de vagas que abrem é limitado, havendo alto nível de competitividade. Nesses casos, a escolha de uma universidade pouco respeitada pelo mercado pode ser um fator negativo.

Motivação

Na opinião da consultora da Catho Online, é difícil encontrar satisfação no trabalho, quando não se trabalha com o que gostaria. “Em linhas gerais, dificilmente uma pessoa que não está na área de formação se sentirá motivada no dia-a-dia, uma vez que sabe que tem potencial para fazer muito mais, para agregar mais valor à empresa.”

Uma das saídas é encontrar motivação no salário, na estabilidade, enfim, em outros aspectos do trabalho. “Uma pesquisa da Catho indica que o que mais motiva as pessoas é a perspectiva de crescimento. Se alguém tem essa perspectiva, já é um caminho para encontrar satisfação. Outros fatores que motivam é o salário alto e a estabilidade, que também trazem uma cobrança menor por parte dos superiores”, explica.

É de suma importância, entretanto, para evitar esse quadro, fazer o planejamento de carreira antes mesmo de terminar a faculdade. Isso significa procurar fazer estágios estratégicos, desenvolvendo atividades diretamente relacionadas ao conteúdo do curso. Para quem quer entrar na área tardiamente, é necessário fazer um planejamento orçamentário, prevendo a queda na remuneração.

“Quem começa do zero precisa identificar as necessidades do mercado, investir no networking, para conseguir uma indicação, dedicar seu tempo para divulgar o currículo e calcular despesas, pois, provavelmente, no começo, o salário será menor”, finaliza Gláucia.