Diplomacia: novas regras em concurso geram discussões; conheça a carreira

Nota mínima de aproveitamento caiu de 60% para 50% na terceira etapa; diplomata deve representar o país

SÃO PAULO – O concurso público para a carreira diplomática, com inscrições abertas desde o dia 14 de janeiro, está sob novas regras, o que tem gerado discussões. Dentre as mudanças do edital, estão a redução de 60% para 50% da nota mínima de aproveitamento na terceira etapa das provas e a possibilidade de escolha de outros idiomas, além do francês e espanhol, para realização da prova de segunda língua.

De acordo com o diretor-geral do Instituto Rio Branco, Fernando Guimarães Reis, o nível de cobrança será mantido, mesmo com as alterações. “Essas pequenas mudanças não interferem na estrutura tradicional do concurso, pois são as mesmas disciplinas e provas. Não haverá surpresa para os candidatos”, afirmou, segundo a Agência Brasil.

O diretor acredita que os candidatos se sentirão mais confortáveis com as novas regras. “O exame está bem mais equilibrado e é importante que as pessoas mostrem ter absorvido o que estudaram”.

Diminuição da exigência

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Já para o ex-ministro das relações Institucionais, Celso Lafer, não deveria ser reduzida a exigência para a prova. “Os concursos para juízes, promotores, auditores do Banco Central e delegados têm sido muito rigorosos. Essas exigências nesses concursos exprimem uma preocupação com a qualidade do serviço público e a importância de ter pessoas qualificadas para atenderem melhor os cidadãos”.

Com relação à nova regra do domínio de idioma, ele disse que é indispensável a um diplomata o conhecimento de outras línguas, principalmente para o exercício de suas atividades. Segundo ele, um diplomata tem de interagir com outros países e atuar não só no nível bilateral, mas também no multilateral.

As inscrições para o concurso do IBR vão até o dia 14 de fevereiro. A partir do dia 21 de janeiro, o Guia do Candidato estará disponível no endereço www.irbr.mre.gov.br. Serão disputadas 115 vagas.

Conheça a carreira

Para exercer a diplomacia, o candidato deve ser aprovado por concurso de admissão do Instituto Rio Branco. Ao longo da carreira, por sua vez, terá de realizar cursos de aperfeiçoamento. A pessoa será preparada para tratar de uma série de temas, como paz e segurança, normas de comércio e relações econômicas e financeiras. A carreira engloba conhecimentos em administração, ciências exatas e biológicas, economia, direito e ciências humanas e sociais.

As funções principais de um diplomata são: bem representar o Brasil perante a comunidade das nações, colher as informações necessárias à formulação da política externa brasileira, participar de reuniões internacionais e, nelas, negociar em nome do Brasil, assistir as missões no exterior de setores do governo e da sociedade, proteger seus compatriotas e promover a cultura e os valores de nosso povo.