Dieese: sem crise, Brasil teria perdido 350 mil empregos em dezembro

Pesquisa revela que demissões teriam sido 305 mil a menos, já que dezembro é mês de "ajustes"; elas foram de 655 mil

SÃO PAULO – Pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostrou que a crise financeira global agravou as demissões de dezembro no mercado de trabalho, que deveriam ser de 350 mil, mas foram de 655 mil.

O estudo, divulgado nesta segunda-feira (23) e baseado nos dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), revelou que dezembro é um mês de “ajuste geral na mão-de-obra”, com demissões que atingem quase todos os setores e regiões demográficas.

Crescimento

Os dados mostram que, até novembro do ano passado, os resultados do mercado de trabalho eram positivos, com recordes na contratação formal desde 2003. Porém, a partir do 11º mês de 2008, houve uma queda de 2,3% no total de empregos com carteira assinada (750 mil pessoas demitidas).

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“A crise atinge o Brasil em um momento de recuperação do mercado de trabalho, com crescimento do emprego, da renda e da massa salarial, fatores que se tornaram estratégicos para a dinâmica do crescimento econômico dos últimos anos”, diz o estudo.

Porém, a pesquisa ressalta que, se as condições estavam melhorando, ainda estavam longe de serem ideais, uma vez que um grande contingente da população encontra-se em condições precárias de trabalho, a taxa de desemprego ainda é alta e a população em idade ativa é crescente, fatores que remetem à necessidade de criação de novos postos de trabalho.

Setores

De acordo com os dados, três setores já retomaram o nível do estoque de empregos de novembro de 2008, sendo eles o de Serviço Industrial de Utilidade Pública, Serviços de Alojamento, Alimentação, Reposição e Manutenção e Serviços Médicos e Odontológicos.

Outros se igualaram ao volume de dezembro: Borracha, Fumo e Couros, Calçados, Construção Civil, Comércio Atacadista, Comércio, Administração de Imóveis, Serviços Técnicos Profissionais, Ensino e Administração Pública.

A Agropecuária foi o setor mais atingido, com queda de 7,9% dos empregos em dezembro e de 8,6% no acumulado até fevereiro. Em segundo lugar, ficou a Indústria de Transformações, com demissões na ordem de 3,6% em dezembro e de 5% no acumulado até fevereiro.