Dieese: jovens são os mais atingidos pelo desemprego

Falta de experiência e baixa escolaridade contribuem para agravamento do problema, aponta Pesquisa de Emprego e Desemprego

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SÃO PAULO – O desemprego é mais cruel entre a população jovem. Pelo menos é o que apontam os dados apresentados nesta segunda-feira (19) pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pelo convênio entre o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), a Seade (Fundação Estadual de Análise de Dados), governos locais e Ministério do Trabalho e Emprego.

De acordo com o estudo realizado em seis regiões brasileiras (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal), a população jovem (16 a 24 anos) somava, em 2004, 6,5 milhões de pessoas, ou cerca de 24,4% da população acima de 16 anos e residente nestas localidades. Destes jovens, 4,7 milhões estavam inseridos na força de trabalho local, ocupados ou não.

Entre os ocupados com idade acima de 16 anos (14,7 milhões), os jovens estão em menor proporção, 20,8%, somando 3,1 milhões de pessoas.

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Já entre os desempregados, a proporção de jovens é bem maior. Entre os 3,5 milhões de desempregados existentes no ano passado nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, 1,6 milhão estava com idade entre 16 e 24 anos.

Mercado de trabalho mais dinâmico, melhores resultado

De acordo com o estudo, considerando o índice de participação dos jovens com idades entre 16 e 24 anos presentes no mercado de trabalho, os mercados mais dinâmicos acabam absorvendo melhor esta faixa etária.

Na análise do PED, a participação dos jovens nestas regiões é alta e não se distancia muito do total de pessoas com idade superior a 16 anos. Porém, os números apontam que existiam variações de acordo com a região, no índice de jovens inseridos no mercado de trabalho, em 2004.

Enquanto este índice foi de 76,7%, em São Paulo; 71,8%, em Belo Horizonte; e 70,3%, em Porto Alegre; no Recife apenas 58,5% dos jovens tinham uma ocupação.

Mais jovens investem na formação profissional

Segundo o PED, desigualdades também podem ser observadas nas taxas de participação entre a população na faixa dos 18 a 24 anos e entre 16 e 17 anos.

Segundo a análise do PED, isto ocorre em virtude desta última faixa etária dedicar maior tempo aos estudos, em função da ampliação no acesso ao ensino público e à formação profissional. A maior desigualdade na participação desta faixa etária foi observada em Recife, que registrou 25,3%. Já a maior ficou com São Paulo, 52,3%.

Mesmo entre os jovens, mulher é minoria

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O estudo também revela uma participação maior dos homens em relação às mulheres. Das regiões pesquisadas, São Paulo se destaca com 81,5% de representatividade, já em Recife, este índice é de 64,6%. Na comparação da presença das mulheres no mercado de trabalho os números ficam assim: Grande São Paulo com 72,2% e Recife com 52,5%.

Entretanto, as desigualdades apresentadas entre homens e mulheres, quanto à participação no mercado de trabalho, estão distantes das observadas para a população com idade superior aos 16 anos, o que, segundo a PED, pode ser traduzido como uma mudança de comportamento das novas gerações, no que diz respeito à igualdade dos gêneros.