Dieese: 81% dos brasileiros ganham até 2 salários mínimos por mês

Apenas 5% dos pisos salariais estabelecidos no ano passado tinham valores superiores a 3 salários mínimos

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SÃO PAULO – De acordo com um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado nesta quarta-feira (19), 81% dos pisos salariais firmados no ano passado correspondem a até 2 salários mínimos.

Além disso, metade deles tem valor equivalente a até 1,5 salário mínimo e mais de um quarto encontra-se na faixa de 1 a 1,25 salário. Apenas 5% dos pisos estabelecidos tinham valores superiores a 3 mínimos.

Relação com o mínimo foi mantida

Em 2004, o piso salarial médio das 324 unidades analisadas era de 1,74 salário mínimo. Em 2005, considerando as 376 unidades, o piso médio equivale a 1,73 mínimo, o que demonstra que o conjunto dos pisos salariais observados conserva a relação com o salário mínimo.

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Entretanto, tanto os pisos de valores mais baixos quanto os de valores mais altos, embora tenham seguido a tendência de aumento do salário mínimo, provavelmente não o acompanharam na mesma proporção, pois obtiveram percentuais de ajuste inferiores aos aplicados sobre o salário mínimo.

Setores e ramos de atividade

A maior parte dos valores que correspondem a mais de 2 salários mínimos foi negociada no setor de serviços, onde 41,2% das unidades analisadas estabeleceram pisos acima deste patamar. Já para a Indústria e Comércio, os percentuais foram de 10,9% e 8%, respectivamente.

Ainda de acordo com o Dieese, a maior média entre os valores de pisos salariais fixados em 2005 foi atingida no setor de serviços (R$ 662,24). Os destaques do segmento ficaram com Comunicações, Publicidade e Jornalismo (R$ 790,78), maior valor do segmento, e Turismo e Hospitalidade (R$ 371,10), com o menor valor.

O comércio ficou no segundo lugar do ranking, com média salarial de R$ 457,45 e destaque para Minérios e derivados de petróleo (R$ 528,58) e atacadista/varejista (R$ 421,38). Na seqüência vem a indústria, com R$ 441,13 de média e destaques para a Metalurgia (R$ 476,70 – maior) e Vestuário (R$ 360,48 – menor).

Novo valor do mínimo

O aumento do mínimo nacional surtirá efeitos imediatos em boa parte dos pisos salariais que compõem o painel observado, provocando um movimento conhecido como “efeito arrasto”, pois 23% do total de pisos estavam abaixo deste novo valor em dezembro do ano passado.

Por conta disso, o Dieese ressalta a importância da adoção de políticas de valorização do salário mínimo como instrumento de elevação do patamar salarial e melhoria da distribuição de renda.

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