Dia da luta contra acidentes de trabalho: fundação alerta para uso de equipamentos

Para OIT, segurança e saúde no trabalho devem ser motivos de preocupação para governos, empresas e profissionais

SÃO PAULO – No dia 28 de abril de 1969, uma explosão ocorrida em uma mina de Farmington, nos Estados Unidos, levou à morte 78 trabalhadores. O caso chocou o mundo e deu origem ao Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho.

Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), são 270 milhões de acidentes de trabalho em todo o mundo, dois milhões deles com vítimas, e 160 milhões de novos casos de doenças relacionadas ao trabalho ocorrendo anualmente no planeta.

Os acidentes matam três pessoas a cada minuto. A cada dia, são contabilizadas 6 mil mortes, número que representa quase o dobro de vítimas de guerra.

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Para destacar a importância do cumprimento das normas trabalhistas para prevenção de acidentes, a Fundacentro (Fundação Jorge Duprat de Figueiredo), órgão de pesquisa vinculado ao MTE, realiza, nesta segunda-feira (28), vários atos para alertar trabalhadores e empresários sobre o uso de equipamentos de proteção. Em Brasília, uma missa será celebrada na Catedral, às 12h15, com a participação de várias autoridades e representantes da sociedade civil.

Preocupação geral

Para a OIT, a segurança e a saúde no trabalho devem ser motivo de preocupação para todos: governos, empregadores e profissionais. A organização confirma que alguns setores industriais são mais perigosos do que outros, assim como alguns trabalhadores correm mais riscos de sofrer acidentes de trabalho e padecer de doenças profissionais que outros, devido a fatores socioeconômicos que favorecem sua submissão a condições degradantes de trabalho.

Acidentes causam prejuízos à empresa e ao empregado

Os danos gerados pelos acidentes são inúmeros. Para a empresa, os custos envolvem salário dos quinze primeiros dias após o acidente; transporte e assistência médica de urgência; paralisação de setor, máquinas e equipamentos; comoção coletiva ou do grupo de trabalho; interrupção da produção; prejuízos ao conceito e à imagem da empresa; embargo ou interdição fiscal; e responsabilização civil e criminal.

Já as vítimas, os trabalhadores, sofrem com o estresse físico e mental; cirurgias e remédios; próteses e assistência médica; fisioterapia e assistência psicológica; dependência de terceiros para acompanhamento e locomoção; diminuição do poder aquisitivo; desemprego; marginalização; e depressão e traumas.

Situação no Brasil

O Brasil ocupa o quarto lugar em relação ao número de mortes, com 2.503 óbitos, perdendo apenas para a China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090). No País, todos os anos, acontecem 1,3 milhão de casos tendo como principal motivo o descumprimento de normas básicas de proteção dos trabalhadores e as más condições nos ambientes e processos de trabalho.

A evolução de casos de acidentes no trabalho no Brasil mostra que, na década de 70, tínhamos uma média de 3.604 óbitos para 12.428.826 trabalhadores. Na década seguinte, o número de trabalhadores aumentou para 21.077.804 e junto aumentou também o número de óbitos: 4.672. Já na década de 90, observa-se uma diminuição, 3.925 óbitos para um total de 23.648.341 trabalhadores.

De acordo com dados de 2005 dos Ministérios do Trabalho e Emprego e Previdência Social, as áreas com número mais alto de óbitos são a do Transporte, Armazenagem e Comunicações; Indústria da Construção; e o Comércio e Veículos.