Desmotivação profissional: o problema é a empresa ou a carreira?

Especialista explica que profissional não deve confundir problemas na empresa com desinteresse pela carreira

SÃO PAULO – Estar desmotivado profissionalmente é um dos principais fatores que limitam o sucesso e crescimento dos trabalhadores. A carreira pode simplesmente estagnar, sem que se alcance nenhum objetivo. Mas você sabe quando a desmotivação é fruto do descontentamento em relação à empresa e quando é em relação à carreira como um todo?

Quem nos ajuda a responder essa questão é a professora do Ibmec/RJ, Lucia Oliveira. A especialista explica que, muitas vezes, os profissionais confundem a fonte do descontentamento. Os seja, acreditam estar na carreira errada, quando o problema é simplesmente a empresa em que atuam.

Nesse sentido, o profissional deve avaliar a relação que tem como o chefe e com os demais colegas de trabalho. O líder, por exemplo, dependendo da forma como atua com seus funcionários, pode ser um forte elemento desmotivacional. Acontece o mesmo com os colegas de trabalho. “Se as pessoas com as quais ele convive têm valores muito diferentes dos dele, ele pode se desmotivar profissionalmente”, pontua Lucia.

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Plano de carreira e reconhecimento
Se o profissional considera importantes elementos como plano de carreira e reconhecimento, mas a empresa em que atua não dá nenhum tipo de retorno em relação a esses pontos, ele eventualmente vai se frustrar. A remuneração, por exemplo, se não condiz com seu trabalho e comprometimento, afeta muita a motivação.

Embora todos esses pontos contribuam para a desmotivação profissional, isso não quer dizer que a pessoa tenha escolhido a carreira errada. Ela deve, porém, trabalhar melhor a relação que tem com o chefe, negociar um salário melhor e observar quais desses pontos pode mudar. Buscar outra empresa, pode, sim, ser uma alternativa, mas que não seja a primeira.

Grande parte dos especialistas explica que ficar mudando de uma empresa para outra não é garantia de nada. O profissional deve primeiro tentar corrigir o que considera errado e, como última alternativa, buscar outra oportunidade.

Nos casos em que o profissional não vê problema com o chefe, tem ótimo relacionamento com os colegas de trabalho, reconhecimento, plano de carreira e remuneração condizente com suas atividades, e ainda assim se sentir desmotivado, o problema também pode não ser a carreira, mas o conteúdo do trabalho. De acordo com a especialista, a desmotivação pode ocorrer porque o profissional não se interessa pela atividade da empresa em que está atuando.

Por exemplo, um profissional formado em administração de empresas pode atuar tanto em um banco quanto em uma empresa de produtos como Unilever e Natura ou em uma petrolífera, como a Petrobras. Perceba, porém, que cada organização trabalha com questões totalmente diferentes e, se produtos financeiros não estimulam o profissional, trabalhar com bens de consumo pode ser bem mais interessante e vice-versa.

Autoconhecimento
O importante é o profissional ter bem claro o que o estimula, conforme explica a especialista em gestão de carreira e sócia-diretora da Yluminarh, Ylana Miller. E descobrir isso é um trabalho de autoconhecimento, que nem sempre é feito no início da carreira e que acaba resultando em problemas no futuro.

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Depois que o profissional descartou todos os pontos citados, ou seja, desde o relacimento que tem com as pessoas com as quais trabalha, até seu interesse com o negócio da empresa e, mesmo assim, a desmotivação persistir, talvez ele possa estar na área errada.

“A pessoa deve se questionar sobre o que deseja fazer durante a vida profissional, sem confundir problemas decorrentes da empresa – chefe, remuneração, falta de plano de carreira – com o que ela realmente quer fazer”, finaliza Lucia.