Pesquisa

Desigualdades caíram no mercado de trabalho, revela OIT

Segundo estudo divulgado hoje (19), avanços se deram nas oportunidades de emprego,na jornada e no ambiente profisisonal

SÃO PAULO – A OIT (Organização Internacional do Trabalho) acaba de divulgar um estudo em que revela que as desigualdades caíram em várias esferas do mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa “Perfil do Trabalho Decente no Brasil – Um Olhar sobre as Unidades da Federação”, realizada entre os anos de 2004 e 2009, os avanços se deram nas oportunidades de emprego, no trabalho produtivo, na jornada de trabalho, na estabilidade profissional e no ambiente de trabalho, que passou a ser mais seguro.

“Elas foram mais acentuadas nas regiões mais pobres do País e em grupos em situação de maior desvantagem no mercado de trabalho, como as mulheres e os negros”, informa a OIT.

No País
O estudo, que adotou como base os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Censo Demográfico de 2010 revelou ainda informações inéditas sobre as 27 Unidades da Federação do País.

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“Em 2009, um contingente de 6,2 milhões de jovens (18,4% do total) não estudava ou trabalhava. Em três estados analisados essa proporção era de 25%”, explica a OIT.

Para se ter uma ideia, os estados citados neste quesito pela pesquisa eram, respectivamente, Pernambuco (25,7%), Alagoas (25,0%) e Amapá (24,6%). Já em menor proporção se destacaram Santa Catarina (11,0%) e Piauí (14,0%).

Taxa de formalidade
Outro indicador que também evoluiu significativamente foi a taxa de formalidade. A mesma que era de 50,6% entre 2004 e 2006, alcançou 54,3% no ano de 2009, não sendo sequer afetada pela crise financeira internacional.

E como nem tudo poderia ser perfeito, em muitos indicadores, o nível de desigualdade ainda foi bastante elevado. “A taxa de formalidade entre as mulheres (50,7%) era inferior à observada entre os homens (57,0%) e mesmo diante da expressiva evolução de 39,6% para 46,8% entre 2004 e 2009, a taxa correspondente aos trabalhadores negros (46,8%) ainda era muito inferior à dos trabalhadores brancos (61,9%)”, lembra a organização, que avalia a situação das mulheres negras de forma mais crítica ainda.

“Entre estas mulheres, a taxa era de apenas 42,5%, ou seja, quase 20 pontos percentuais inferior à dos homens brancos”, explica.

Além destas, outras desigualdades também se fizeram presente no estudo, como as regionais: enquanto a taxa de formalidade se aproximava aos 70% entre a população trabalhadora de São Paulo (69,1%), do Distrito Federal (69,0%) e de Santa Catarina (68,8%), no Piauí e no Maranhão a mesma era de 25,9% e 29,9%, respectivamente.