Desemprego vai aumentar mais que o esperado nos próximos meses, diz Dieese

Para diretor-técnico, mesmo com medidas eficazes do governo, taxa de desocupação deve aumentar neste 1º semestre

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SÃO PAULO – O desemprego vai aumentar no Brasil nos próximos seis meses. A afirmação é do diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Clemente Ganz Lúcio.

“Naturalmente, nos quatro primeiros meses do ano, sempre há um movimento de elevação na taxa de desocupação. Porém, com os reflexos da crise, estamos esperando uma elevação muito maior do que a que acontece normalmente em todos os anos”.

Caged X IBGE

Sobre os dados divulgados nesta semana pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – que apontou a redução de mais de 654 mil postos de trabalho em dezembro de 2008 – e pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – que indicou que a taxa de desocupação no último mês do ano foi a menor registrada desde 2002 – Lúcio explica que as pesquisas avaliam dados diferentes.

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“O Caged avalia dados de empregos formais e é comum que, em dezembro, os postos de trabalho em indústrias, por exemplo, apresentem um encolhimento. Porém, essa retração apontada foi muito acima do esperado, o que pode ser identificado como impactos da crise sobre esse setor. Já os números do IBGE avaliam o mercado como um todo, ou seja, quem trabalha sem carteira assinada está incluído nesta estatística. Esse bom desempenho é por causa das contratações que o comércio e o setor de serviços realizam no final do ano. E a crise ainda não havia influenciado esses setores”.

Porém, apesar dos números mais otimistas do IBGE, o diretor acredita que são os números do Caged que mais se aproximam da realidade que o mercado de trabalho enfrentará neste ano. “Para mim, os números do Caged são um indicativo do que está por vir”.

Medidas do governo

Sobre a estratégia do governo de apresentar medidas para conter a crise de forma pontual, “cada vez que a luz amarela acende”, segundo palavras do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, Lúcio diz acreditar que esse é mesmo o caminho certo.

“As medidas precisam sair rapidamente, por isso, é melhor avaliar a situação e apresentar medidas que solucionem aquele problema. Um grande pacote, demoraria muito para sair e não cobriria todas as áreas, acredito que essa seja mesmo a estratégia mais eficaz”.

Sobre as medidas que devem sair ainda esse mês e que contemplarão mais diretamente o setor da construção civil, o diretor também está otimista. “Acho que é uma medida que vem na hora certa. O setor precisa ser aquecido e esse aquecimento vai melhorar também o mercado de trabalho”.

Ainda sobre estímulos para conter o desemprego, Lúcio disse que o corte na taxa Selic é um caminho eficaz. “Um corte na taxa básica de juros é um indicativo às empresas de que há um esforço para manter a atividade economia aquecida. Isso eleva a confiança dos empresários de que o quadro não deve se agravar tanto, o que faz com que eles mantenham seus funcionários”, finaliza.

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