Desemprego medido pelo Seade/Dieese atinge 18,6% na Grande SP em janeiro

Taxa ficou praticamente estável em relação a dezembro (18,5%); jornada de trabalho diminuiu em média em três horas em janeiro

SÃO PAULO – De acordo com a pesquisa mensal do emprego, desemprego e renda, divulgada pelo SEADE/DIEESE nesta terça-feira, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo registrou uma ligeira elevação neste primeiro mês do ano, ao atingir 18,6% da População Economicamente Ativa (PEA) frente a 18,5% registrados em dezembro.

Apesar disto, pode-se afirmar que a taxa ficou praticamente estável, visto que em novembro a taxa estava em 19,0% da População Economicamente Ativa (PEA), o segundo maior nível atingido desde 1985, quando a série histórica foi iniciada. O maior valor atingido pelo indicador foi de 19,3%, em 1999.

PEA diminuiu em janeiro

Em janeiro de 2003, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo ficou em 18,6% da PEA, o que corresponde a 1,750 milhão de desempregados. Apesar do ligeiro aumento na taxa, em termos de números absolutos o total de desempregados caiu em nove mil pessoas.

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Esta tendência só foi possível graças a uma ligeira redução da PEA no mês de janeiro derivada da saída de 96 mil pessoas da força de trabalho e a eliminação de 87 mil ocupações, muitas delas de mão de obra temporária contratada apenas para a época de Final de Ano.

Em termos de perfil do trabalhador verificou-se um aumento do desemprego entre as pessoas com mais de 40 anos (4,4%), dos chefes de família (2,9%) e dos jovens entre 18 e 24 anos (2,2%), enquanto entre as pessoas de 25 a 39 anos a taxa caiu.

Só comércio gerou novos empregos

De acordo com o setor de atividade, a pesquisa revelou que a maior retração foi registrada na indústria, com queda de 2,5% e perda de 40 mil postos de trabalho, e do setor serviços com queda de 1,1% e perda de 45 mil postos de trabalho.

Em sentido contrário, o comércio foi o único setor a registrar a abertura de novos postos de trabalho, com a criação de 48 mil postos de trabalho, um crescimento de 4% em relação ao total de 1,201 milhão de empregados no setor em dezembro.

Jornada e rendimentos diminuíram

De acordo com os números apresentados pela pesquisa, a jornada média semanal dos trabalhadores assalariados foi de 42 horas, o que representa uma redução de três horas em relação ao mês anterior. A parcela de trabalhadores que trabalham acima de 44 horas semanais caiu de 49,9% para 39,5%, movimento usual para esta época do ano.

O declínio aconteceu em todos os setores, tendo sido mais intenso na indústria, onde passou de 53,1% para 33,5%, e no comércio, onde a taxa passou de 73,3% para 53,4%, enquanto no setor de serviços caiu de 41,7% para 37,1%.

Defasados de um mês, os dados de rendimentos dos trabalhadores ocupados (R$ 872 mensais) e assalariados (R$ 895 mensais) mostraram, decréscimos de 0,8% e 0,7% frente ao mês anterior. Em comparação com dezembro de 2001, esses rendimentos diminuíram 8,8% e 9,4%, respectivamente.

O salário médio do setor privado, de R$ 842 mensais, registrou queda de 0,7% em dezembro. Em relação a dezembro de 2001, a queda chega a 10,2%, o que se deve ao fraco desempenho da indústria, comércio e serviços naquele ano.