Petróleo e Gás

Descoberta do pré-sal leva à disputa por profissionais de engenharia

Novas reservas estimulam mercado e companhias afirmam não medir esforços financeiros para atrair bons profissionais

SÃO PAULO – Os engenheiros nunca estiveram em uma situação tão favorável como nos dias atuais. Além das obras de infraestrutura promovidas pelo governo, o segmento de óleo e gás tem dado inúmeros sinais de que não deixará faltar oportunidades para os profissionais do setor. E, de fato, a demanda até pode ser positiva para os candidatos, contudo, a mesma não parece favorecer da msma forma as empresas do País.

Segundo uma recente pesquisa sobre o mercado de óleo e gás, da Asap, a maioria das organizações tem sofrido com a disputa acirrada de profissionais, que normalmente deixam seus cargos por ofertas mais agressivas de outras companhias.

“Estudos recentes demonstraram que a média salarial do profissional brasileiro do setor de petróleo e gás cresceu entre 20% e 30% nos últimos 12 meses. O fato corrobora com o resultado observado em nosso estudo, onde 82% das companhias consultadas declararam perder seus contratados para o mercado por questões salariais”, detalha a pesquisa, que aponta para a máxima de que quanto maior a demanda e menor a oferta, mais altos e salários e mais inquietos os profissionais.

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Outros fatores
Outro fenômeno importante observado neste setor é ainda o retorno de executivos brasileiros especialistas neste tipo de trabalho ao Brasil. “Anteriormente eles haviam sido recrutados para desafios internacionais e, para retornar ao País, também alavancam sua pedida salarial”, explica a Asap.

Foram citados ainda pelo estudo, como motivadores da perda de bons colaboradores, o retorno destes profissionais à sua cidade de origem, com 36% das menções e o interesse dos mesmos no desenvolvimento de uma carreira internacional, com 27%.

Solução emprestada
Para contornar o problema, além do investimento empresarial em programas de estágio e trainee e da possibilidade de uma carreira internacional, muitas empresas de Petróleo e Gás tem apostado ainda na contratação de talentos de outros setores. Isso mesmo, as companhias têm optado pela admissão de profissionais de mineração, que correspondem a 73% da procura, de construção, engenharia e infraestrutura (55%) e de metalúrgia e siderurgia (45%).

“Diante da complexidade da máquina petrolífera, outros tipos de profissionais – além dos engenheiros – também vêm sendo muito requisitados pela indústria. Afinal, para que uma plataforma consiga extrair óleo ou gás do fundo da terra ou do mar, há a natural necessidade de uma operação de back office bem estruturada, além de um bom gerenciamento do caixa do negócio”, explica a Asap.