Desafios e avanços marcam o Dia do Engenheiro no Brasil

Segundo OCDE, apenas 5% dos alunos que completaram a graduação no Brasil em 2007 formaram-se em cursos de Engenharia

SÃO PAULO – Os engenheiros de todo o País comemoram no próximo dia 11 a data que celebra a importância da profissão.

Entre os obstáculos da carreira, em alta por conta de grandes obras de engenharia como as do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), do Programa Minha Casa Minha Vida, da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, está o baixo índice de estudantes formados.

De acordo com dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), apenas 5% dos alunos que completaram a graduação no Brasil em 2007 formaram-se em cursos de Engenharia.

PUBLICIDADE

O contraste com outros países fica tão evidente que, na China, por exemplo, cerca de 35% dos egressos da graduação cursaram uma das diferentes modalidades de Engenharia.

Dobro de engenheiros
Na avaliação do presidente do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), Marcos Túlio de Melo, se o crescimento do Brasil seguir o ritmo em que se encontra, será necessário formar o dobro de engenheiros por ano.

“A engenharia sempre foi fundamental em todos os processos tecnológicos. Agora, com o grande desenvolvimento econômico e humano do Brasil, a profissão se tornou ainda mais importante”, diz Melo.

Existem cerca de 712.418 engenheiros no Brasil. Formam-se por ano 32 mil, ou seja, seria preciso 60 mil se graduarem anualmente para suprir a demanda na construção.

Para o reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Fernando Costa, a procura por engenheiros no Brasil nunca foi tão alta. “A exploração do pré-sal, por exemplo, só será possível com a participação de um grande número de engenheiros altamente qualificados”, diz, em referência à extração do petróleo da camada pré-sal.

Mão de obra
De olho nessa expansão, e atraídos pela pouca concorrência no País, engenheiros de outros países estão migrando para o Brasil para suprir esta lacuna.

Tal movimento não é visto com bons olhos pelo presidente do CREA-DF (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), Francisco Machado, cuja defesa se baseia na validação dos diplomas desses profissionais, somada à capacitação devida para a função que vão exercer.

“Sou a favor do rigor na averbação dos diplomas, ou então haverá uma importação indevida. Abrimos a porta, sim, mas dentro da legalidade. Não vamos barrar a entrada, mas por outro lado temos que acender o sinal amarelo para começar a preparar engenheiros brasileiros qualificados, que possam dar continuidade ao excelente desenvolvimento econômico e humano que o Brasil está vivenciando”, afirma Machado.

Ele ainda sustenta que o problema no Brasil não está na falta de engenheiros no mercado, mas sim na escassez de profissionais especializados na área. “Acho que não estão faltando engenheiros genéricos. O que está faltando é engenheiro especialista. Ou seja, engenheiro civil especialista em saneamento, em infraestrutura, em edificações, em inovação tecnológica”, descreve Machado.

Segundo ele, a capacitação para o profissional de Engenharia é rápida, levando em torno de seis meses a um ano.

Motivação
O que falta para atrair jovens para a área, avalia Machado, é a valorização da profissão. O presidente do CREA-DF revelou que uma pesquisa feita recentemente verificou que a Engenharia não tem sido procurada pelos estudantes porque é um curso difícil e os salários são baixos.

“Se houver prioridade do desenvolvimento nacional, haverá também mais valorização da profissão, o que aumenta a procura pelo curso e os salários pagos”, observa.

Segundo informações do Confea, o salário médio de um recém-formado em Engenharia é de R$ 6 mil e de um especialista sênior em gerenciar projetos na área varia de R$ 25 a R$ 30 mil. Áreas como infraestrutura, saneamento básico e habitação devem precisar de mais engenheiros em um curto espaço de tempo.