Dentro e fora de campo: aprenda mais sobre equipes com as seleções da Copa!

Em campo ou na empresa, o lider deve ter o respeito da equipe e cada jogador deve saber sua posição para conseguir resultados

SÃO PAULO – Quem gosta de futebol sabe que um único jogador não faz o jogo nem leva uma Copa do Mundo nas costas. Para conquistar gols e títulos, o técnico deve ter o respeito dos jogadores, cada jogador deve saber exatamente qual a sua posição dentro de campo e deve dar apoio, sempre que preciso, à jogada do companheiro. Enfim, só equipes equilibradas e coesas conquistam uma Copa.

No mundo corporativo, esse esquema tático não muda muito. Bons resultados são frutos de um trabalho em equipe. Pouco se consegue sozinho no ambiente de trabalho. Não é à toa que a facilidade de se trabalhar em grupo ainda é uma das principais competências que um bom profissional deve ter.

Contudo, não existe um único tipo de equipe nem dentro de campo nem no mundo corporativo. Em tempos de Copa, dá para aprender muito sobre trabalho em grupo com as seleções que disputam o título mundial. Até quem não entende do mundo da bola pode conseguir bons resultados.

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Papel do líder ajuda a trazer resultados
Para o headhunter presidente da Junto Brasil, Ricardo Nogueira, se o Brasil levasse o título neste ano, o mérito seria do líder. “O Dunga escalou uma seleção burocrática e eficiente, baseada no resultado contínuo, quase que uma análise fria”, afirmou. Nessa análise, ficaram de fora craques evidentes do futebol brasileiro.

O que fez o técnico da seleção brasileira optar pela equipe atual? Para Nogueira, Dunga optou por uma escalação mais técnica que emocional. “Não se trata de esquema de jogo, falamos de estratégia e motivação de pessoas”, diz. No entanto, foi o emocional que abalou a seleção no jogo contra a Holanda e, devido a esse fator, ficou de fora da Copa deste ano. 

Segundo Nogueira, se um profissional tem um bom desempenho dentro da empresa e ainda não recebeu atenção do líder, uma hora pode ser convocado. Para ele, o ideal é manter um bom desempenho contínuo e não apenas picos. Contudo, é preciso ficar atento aos entraves emocionais, pois eles podem acabar prejudicando uma equipe tecnicamente boa.

Outro técnico que está fazendo a diferença em uma equipe é Maradona. Para Nogueira, a exemplo de muitos líderes no mundo corporativo, o técnico argentino age de modo muito afetivo, por isso, é querido entre os jogadores.

Contudo, ele alerta que essa afetividade não é à toa, mas estratégica. O especialista explica que esse comportamento faz diferença porque mantém a motivação da equipe elevada e, consequentemente, traz resultados. “Maradona transformou uma seleção que foi classificada na repescagem, com moral baixa, quase desacreditada”, afirma Nogueira. Para ele, é possível levar essa estratégia para as empresas.

Cada membro da equipe deve mostrar equilíbrio e talento
“Para mantermos um crescimento sustentável nas nossas cadeiras, é preciso estudar, arriscar e se expor”, diz o headhunter. É disso que, na avaliação de Nogueira, precisa a seleção holandesa. Para o especialista, os holandeses tem tradição dentro de campo, mas ainda não conseguiram o título mundial porque precisam manter o equilíbrio entre os jogadores. 

Com jogadores equilibrados, é hora de manter o foco. A falta de foco é o que pode tirar a Espanha da Copa. “Como eles têm a Eurocopa, acho que falta foco da equipe no Mundial”, analisa Nogueira. “Nas nossas vidas profissionais, não podemos perder o foco”, lembra o especialista. As consequências para uma equipe que perde o foco podem ser muito maiores que apenas a perda de um título.

Mas, de nada adianta uma equipe equilibrada e com foco, se ela não tiver talento, como tem a seleção alemã. “A seleção da Alemanha é técnica, mas previsível”, diz Nogueira. Dentro de uma equipe que traz resultados, sem trazer surpresas, o profissional que quer crescer na carreira deve mostrar seu diferencial. “Você deve ter talento para ser reconhecido, uma vez que todo o time apresenta resultado”, afirma.

Aproveitando a experiência em campo
A exemplo do que tenta fazer a seleção da Holanda, a dos uruguaios tenta resgatar o passado glorioso para conquistar resultados. Não há nada de errado nisso, contudo, é preciso cuidado para não ficar vivendo do passado e esquecer do que se pode e deve ser feito no futuro.

No mundo corporativo, o recado é o mesmo. Para Nogueira, mesmo profissionais com experiência têm dificuldades em se manter no mercado de trabalho de hoje, cada vez mais competitivo e exigente. O que fazer? Trazer essa experiência para ajudar a equipe. “É possível concorrer com os jovens de forma democrática e amigável”. Para isso, ressalta o headhunter, é preciso que esse profissional conheça os objetivos da equipe e da empresa.

E se apenas um ou dois membros da equipe estão em dificuldades, imagine o que pode acontecer se uma equipe inteira está nessa situação? A seleção de Gana é um exemplo. Permeada de problemas técnicos, a seleção venceu ainda assim. Para Nogueira, o que fez Gana conseguir tantas vitórias também pode fazer as equipes no ambiente de trabalho superar as dificuldades e conseguir resultados: a vontade de sair na frente. “Vitórias como as de Gana dentro do campo elevam a moral da equipe”.

União para manter resultados
Se tem uma seleção que está surpreendendo no Mundial é o Paraguai. “Esta corajosa seleção mostrou que a união e o foco no resultado fazem a diferença, mesmo que tenham de respeitar suas limitações”, analisa Nogueira.

No fim das contas, para o especialista, para uma seleção levar o título ou uma empresa vencer a concorrência, também é preciso união entre os membros da equipe. Só dessa forma, é possível crescer de modo gradual.

Para Nogueira, antes uma equipe que consiga pequenos resultados bem conquistados do que aquela que conquistou uma única vez uma grande vitória. “De pequenos em pequenos resultados, ganhamos “share” no mercado”, ressalta. 

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