Delete o sofrimento: evitar o excesso de trabalho reduz o estresse digital

Isso significa não levar trabalho para a casa, checando e-mails e atendendo o celular depois do expediente

SÃO PAULO – A evolução tecnológica acontece numa velocidade incrível, e é comum que as pessoas se sintam sempre atrasadas em relação a ela. É aí que pode aparecer uma doença: o estresse digital. “O problema surge quando a pessoa não consegue usar os equipamentos de maneira equilibrada, não compreende como eles funcionam e, principalmente, quando a tecnologia falha”, disse a psicóloga Adriana de Araújo. Mas como reduzir essas sensações?

Antes de responder, é preciso entender que o problema pode causar irritação e ansiedade, além da percepção de que o tempo está cada vez mais curto. A tecnologia acaba servindo para preencher vazios existenciais. “Ela pode causar estresse, porque exige que nos adaptemos, tanto ao seu manuseio quanto às novas possibilidades de relacionamento com o mundo. O mau uso tecnológico deixa relações afetivas, convívio social e repertório de vida empobrecidos”.

Solução

De acordo com Adriana, encontrar maneiras de reduzir o isolamento social e políticas para evitar o trabalho excessivo é uma das alternativas para lidar com o estresse digital. Após o expediente, muitas pessoas ainda checam os e-mails quando chegam em casa, param por minutos para ouvir a secretária eletrônica e continuam atendendo o celular, mesmo que seja assunto de trabalho. “Os limites entre trabalho e lazer deveriam ser mais respeitados”.

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É simples identificar uma pessoa afetada pelo estresse digital: ao invés de ter momentos de lazer, ela perde muito tempo na internet e ainda apresenta fobia social, timidez excessiva e depressão.

A dependência da internet, por exemplo, pode acentuar o estresse digital. É um distúrbio psicológico e tem diagnóstico e tratamento ideais. Mas não é possível identificar um dependente somente pela quantidade de horas que fica na internet. “O mais importante é perceber como a internet está interferindo na sua vida diária, nas suas atividades, no contato com parentes e amigos”, afirmou a psicóloga.

Função distorcida

Se os aparelhos tecnológicos surgiram para nos servir, dar mais segurança e proporcionar mais tempo livre, o que acontece hoje é o contrário. “Acabaram nos ocupando mais. O clima de irritação e ansiedade é crescente, e o nosso tempo tem sido cada vez mais curto”, afirmou Adriana.