Décimo terceiro salário deve injetar R$ 45,9 bilhões na economia, calcula Dieese

Valor médio estimado do benefício é de R$ 812,72, a ser pago a 56,5 milhões de formais e segurados do INSS

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SÃO PAULO – O pagamento do décimo terceiro salário aos trabalhadores da economia formal e aos beneficiários da Previdência Social será responsável pela injeção de cerca de R$ 45,9 bilhões na economia brasileira, quantia equivalente a cerca de 2,4% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, e 14% maior que o montante liberado em 2004.

Os dados são do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), e foram divulgados nesta quinta-feira (10). Pela estimativa do Dieese, cerca de 56,5 milhões de brasileiros têm direito ao benefício, cujo valor médio será de R$ 812,72.

Formais e beneficiários do INSS

Do total de beneficiários com direito a receber o décimo terceiro salário, cerca de 31,1 milhões (55% do total), se referem aos trabalhadores com carteira assinada dos setores público e privado e estatuários dos governos federal, estaduais e municipais.

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O valor a ser pago a estas pessoas será de R$ 33,9 bilhões, ou 74% do total. Segundo o estudo, o pagamento médio devido a cada trabalhador neste final de ano deve ficar em torno de R$ 1.092,44, acima, portanto, da média nacional.

Já os beneficiários do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social) receberão um total de R$ 11,3 bilhões (24,6% do total), o suficiente para pagar o benefício a 23,6 milhões de segurados (41,9% do total de trabalhadores). O valor do pagamento médio será de R$ 478,07.

Finalmente, aos empregados domésticos com carteira assinada serão destinados R$ 634,3 milhões, algo em torno de 1,4% de todo o montante. Eles representam 1,7 milhão do total de beneficiários, ou 3,1% do total, e receberão um abono médio de R$ 366.

Ainda de acordo com o estudo, estima-se um crescimento de 4,9% dos beneficiários do INSS no último ano. Há ainda cerca de 2,6 milhões de pessoas que passaram a receber o benefício por terem requerido aposentadoria ou pensão, ingressado no mercado de trabalho ou formalizado o vínculo empregatício.

Sudeste fica com mais da metade dos recursos

É importante destacar que mais da metade dos R$ 45,9 bilhões, ou 57% do total de recursos, deverá ficar nos estados da região Sudeste, onde se concentra um maior número de trabalhadores, aposentados e pensionistas.

Para se ter uma idéia, São Paulo representa 34,3% dos recursos do décimo terceiro, o equivalente a R$ 16 bilhões que serão injetados na economia.

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A região Sul ficará com 16,9% do total do benefício; ao Nordeste, caberão 14,1%. Para as regiões Centro-Oeste e Norte, irão, respectivamente, 8,0% e 3,9%.

Metodologia

Para chegar aos cálculos mencionados, o Dieese contou com a utilização de informações da PNAD (Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), dados do Ministério da Previdência e Assistência Social, informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

O cálculo não leva em consideração ainda os abonos pagos aos empregados sem carteira assinada ou trabalhadores autônomos. Os pagamentos do décimo terceiro antecipados aos empregados também não são computados pela pesquisa, mas estima-se que pelo menos 70% do total dos valores seja pago nos dois últimos meses do ano.