Décimo terceiro salário deve injetar R$ 40 bilhões na economia

Segundo os cálculos do Dieese, 53,7 milhões de pessoas serão beneficiadas; só na economia paulista serão R$ 14 bilhões

SÃO PAULO – O pagamento do décimo terceiro salário aos trabalhadores da economia formal e aos beneficiários da Previdência Social será responsável pela injeção de pouco mais de R$ 40 bilhões na economia brasileira, quantia equivalente a cerca de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), divulgados nesta quarta-feira, dia 10 de novembro. Pela estimativa, cerca de 53,7 milhões de brasileiros têm direito ao benefício que, na média geral, é de R$ 748,65.

Trabalhadores formais e aposentados

Pelos cálculos do Dieese, do total de beneficiários com direito a receber o décimo terceiro salário, cerca de 29,3 milhões, 54,6% do total, se referem aos assalariados do mercado formal, ou seja, trabalhadores com carteira assinada dos setores público e privado e estatuários dos governos federal, estaduais e municipais.

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O valor a ser pago a estas pessoas soma cerca de R$ 29,5 bilhões, ou 73,5% do total. Segundo o estudo, o pagamento médio devido a cada trabalhador a título de abono neste final de ano deve ficar em torno de R$ 1.006,97, acima, portanto, da média nacional.

Com relação aos beneficiários do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), o estudo do Dieese apontou um pagamento total de cerca de R$ 10,16 bilhões (25% do total), o suficiente para pagar o benefício a 22,7 milhões de segurados, quase 43% do total de trabalhadores. O valor do pagamento médio será de R$ 446,13.

Beneficiários do INSS cresceram 5,5%

A estimativa aponta um crescimento do número de beneficiários do INSS de cerca de 5,5%, com 1,2 milhão de novos aposentados. Pelos cálculos, cerca de 2,6 milhões de pessoas passaram a receber o benefício, por terem requerido aposentadoria ou pensão, se incorporado ao mercado de trabalho ou ainda formalizado o vínculo empregatício.
É importante destacar que mais da metade dos R$ 40,2 bilhões, ou 57,5% do total de recursos deverão ficar nos estados da região Sudeste, onde se concentra um maior número de trabalhadores, aposentados e pensionistas. Para se ter uma idéia, São Paulo representa 34,5% dos recursos do décimo terceiro, o equivalente a R$ 13,9 bilhões que serão injetados na economia.

Metodologia

Para chegar aos cálculos mencionados, o Dieese contou com a utilização de informações da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dados do Ministério da Previdência e Assistência Social. Este ano a pesquisa não pode contar com informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego (TEM).

Como o MTE não divulgou ainda os dados da RAIS referentes a 2003, para realizar esta estimativa, ao total de 2002 foi acrescido o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged) de 2003.

O cálculo não leva em consideração ainda os abonos pagos aos empregados sem carteira assinada ou trabalhadores autônomos, além dos abonos pagos à maioria dos empregados domésticos. Os pagamentos do décimo terceiro antecipados aos empregados também não são computados pela pesquisa, mas estima-se que pelo menos 70% do total dos valores sejam pagos no final do ano.