De pernas para o ar: com crise, empresas deixam talentos em “stand by”

Em determinados setores, é possível encontrar negócios parados, mas companhias querem reter os talentos

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SÃO PAULO – Antes da crise, falava-se bastante em apagão de talentos. As empresas tinham postos de trabalho abertos, mas dificuldades em ocupá-los, por conta da falta de qualificação dos profissionais. Além disso, promoviam programas de retenção das grandes “estrelas”. Com a transformação no cenário mundial, alguma coisa mudou?

No que diz respeito à retenção desses profissionais, a resposta é não. De acordo com o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Mercer, Marcelo Ferrari, “as companhias não pensam no curto prazo, mas no longo”. Isso significa, para aqueles que só pensam no lado financeiro, que os grandes talentos não devem ser cortados porque ganham mais.

O motivo para isso é que, no momento da retomada do crescimento econômico, os grandes talentos farão diferença. A empresa que conseguir segurar suas “estrelas” vai ter mais chance de se sair bem da crise.

Stand by

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O problema é que, até essa recuperação chegar, muitos talentos estão “de pernas para o ar”. Isso mesmo: o diretor da Mercer afirmou que, durante realização de pesquisa com 171 empresas nacionais, constatou que algumas delas estão com talentos parados, por conta da diminuição dos trabalhos.

Essas empresas estavam abrindo novas fábricas, montando novas estruturas, quando, de repente, chegou a crise. “Havia demanda e parou o mercado de uma hora para a outra, mas elas retêm os talentos em stand by”.

Isso é realidade apenas em alguns mercados. No financeiro, conforme citou Ferrari, é possível encontrar muitos gênios desempregados, uma vez que o corte de funcionários por conta da crise foi mais dramático.

“Joio do trigo”

O momento de crise também interferirá de outra maneira no mercado dos talentos: será possível separar o “joio do trigo”, nas palavras de Ferrari.

Conforme ele explicou, para preencher os postos de trabalho disponíveis no momento de crescimento econômico, muitas empresas acabaram aceitando como “talentos” pessoas que não tinham tal competência. A crise, porém, mostra quem realmente tem condições de ganhar esse status.

“Os processos de contratação começaram a ser bem mais seletivos e as empresas estão passando uma régua mais rigorosa na avaliação de desempenho”.

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