Da Índia para o mundo corporativo: veja quais são os profissionais sagrados

Consultor fala sobre problemas de se manter um colaborador intocável na empresa; "diretoria não sabe como lidar com eles"

SÃO PAULO – Não são só os hindus que têm as vacas como sagradas, dando aos animais o direito de circular livremente pelas ruas sem serem molestados. O mundo corporativo também tem sua própria versão de seres sagrados, ou seja, profissionais que não podem ser demitidos ou cobrados com mais rigor.

De acordo com o consultor empresarial da Caput Consultoria, Flávio Moura, se na Índia as vacas sagradas são sinônimo de abundância, os profissionais sagrados no mundo corporativo ocidental não são exatamente exemplos de abundância em conhecimento, habilidade ou entregas, muito pelo contrário.

Por que estão onde estão?
Os motivos para esses profissionais estarem onde estão são diversos e, normalmente, é por causa dessas razões que a direção das empresas simplesmente não sabe exatamente como lidar com eles.

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Moura explica que os profissionais intocáveis do mundo corporativo, “geralmente possuem muito tempo de empresa, já tiveram ou ainda têm poder considerável na estrutura hierárquica, têm influência de parentesco, cresceram com a organização ou existe uma grande gratidão pela sua contribuição no passado”.

Falta de estabilidade
O que se perde por manter esses profissionais na empresa ou mesmo ter como chefe alguém assim é sobretudo a estabilidade. Moura explica que, em muitos casos, essas pessoas apresentam práticas obsoletas em suas rotinas de trabalho, sendo resistentes às mudanças exigidas pelo atual contexto organizacional, o que consequentemente vai afetar o resultado final do trabalho.

Moura explica que essa resistência está relacionada a um possível sentimento de perda de poder, pois eles mesmos sabem de sua situação. Seu posicionamento reflete a necessidade de justificar sua presença no cargo, explica Moura.

Mas o que a empresa e os demais funcionários realmente perdem com essa resistência à mudança? Moura explica que, ao se prenderem a hábitos do passado, eles automaticamente criam barreiras ao desenvolvimento e à inovação, elementos essenciais para o sucesso nos dias de hoje. Ainda, se esse profissional sagrado tiver subordinados, ele inclusive pode contaminar os demais colaboradores.

A equipe, com o tempo, consegue identificar esse tipo de postura, e o protecionismo das empresas acaba ficando evidente. Assim, começam a se questionar se a direção está observando o que está acontecendo e por que não fazem nada a respeito.

O desperdício de recursos também é evidente ao se manter esse tipo de profissional. Isso acontece pois o resultado do trabalho desses colaboradores normalmente precisa ser revisado, com o objetivo de corrigir possíveis falhas, “gerando assim um círculo vicioso de ineficiência”, observa Moura.

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Enumerando as características mais evidentes desse tipo de profissional, Moura explica que eles são do tipo que não se comprometem efetivamente com nada e adoram dar opiniões, mesmo que sejam ultrapassadas e não se enquadrem com o problema atual.