Custo de vida: autônomos sentiram a inflação corroer mais seus salários em 2003

Em 2003, o poder de compra salarial dos autônomos caiu 13,3%; em 8 anos, autônomos amargam perdas de 39,8%

SÃO PAULO – Você já sentiu a sensação de ir ao supermercado em um mês e, quando volta, levando a mesma quantia, no mês seguinte, para comprar as mesmas coisas, verificar que o dinheiro simplesmente “não deu”? Pois é, saiba que certamente você não está sozinho nesta situação, visto que praticamente todas as pessoas com emprego na região metropolitana de São Paulo (RMSP) sentiram na pele este fato.

A constatação é da Pesquisa do Emprego e Desemprego, divulgada na quarta-feira, dia 28 de janeiro, pela Fundação Seade e pelo Dieese. De acordo com esta pesquisa, o rendimento médio real dos ocupados, que nada mais é do que o poder de compra do salário destas pessoas, registrou forte queda de 6,4% no ano passado, tomando-se como base de comparação o ano anterior.

Autônomos foram os que mais sentiram a perda salarial

Em termos monetários, o salário real médio das pessoas com ocupação na RMSP passou de R$ 991 em 2002 para R$ 928 no ano passado. Outro detalhe que vale a pena ser citado: se a perda do poder de compra entre 2002 e 2003 incomoda, então saiba que desde 1995, o rendimento médio real dos ocupados acumula forte queda de 30,6%, segundo os dados da pesquisa do Seade/Dieese.

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Dentre as diversas categorias que compõem o pessoal ocupado, mais uma constatação: todos os segmentos registraram queda no poder de compra salarial em 2003, o que mostra que no mercado de trabalho os salários cresceram bem menos que os preços ao longo do ano passado. Neste sentido, quem amargou a maior queda do salário médio real foi a categoria de trabalhadores autônomos.

Segundo os dados da pesquisa, o rendimento médio real dos autônomos passou de R$ 739 em 2002 para R$ 641 no ano passado, o que representa uma forte queda de 13,3% no período. Este comportamento refletiu tanto uma queda no rendimento real dos autônomos que trabalhavam para as empresas (-15,7%) quanto para aqueles que lidavam com o público em geral (-11,7%) no período. Enquanto isso, o salário real médio dos assalariados recuou 4,7% no período e o dos empregados domésticos caiu 9,8%.

Autônomos também lideram perdas em oito anos

E isto não é tudo: se voltarmos a analisar os dados acumulados entre os anos de 1995 e 2003, perceberemos que, enquanto o rendimento médio total dos ocupados acumula queda de 30,6%, o poder de compra salarial dos autônomos registra forte perda acumulada de 39,8% no período, sendo o único grupo que fica acima da média.

Neste mesmo período, o rendimento médio real dos trabalhadores assalariados acumula queda de 26,9%, enquanto o salário real médio dos empregados domésticos apresenta queda acumulada de 29,0% entre 1995 e o ano passado. Dessa maneira, percebe-se que a inflação vem “corroendo” os salários de muita gente, especialmente dos trabalhadores autônomos, ao longo dos últimos anos.