Cursos de pós-gradução emitem diplomas sem validade e prejudicam alunos

Cursos de mestrado e doutorado em parceria com instituições no exterior oferecem diplomas não reconhecidos pelo governo

SÃO PAULO – O Ministério da Educação detectou irregularidades em diversos cursos de mestrado e doutorado oferecidos a estudantes. Acontece que muitas instituições brasileiras têm participado na oferta irregular desses cursos de pós-graduação em parceria com universidades de outros países, como Portugal, Espanha, Argentina, Estados Unidos e Cuba.

Diploma não tem validade

O problema, no entanto, diz respeito ao valor legal desses diplomas, uma vez que os mesmos não são reconhecidos pelo governo. De acordo com o MEC, atualmente cerca de nove mil alunos tentam regularizar sua situação junto ao ministério, por terem se “formado” dentro dessas condições.

Segundo o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Roberto Jamil Cury, o principal problema está relacionado à propaganda enganosa veiculada por essas instituições.

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Cury atentou para o fato de que cerca de 147 instituições estrangeiras, que agindo em conjunto com faculdades, associações ou empresas brasileiras, estão oferecendo os cursos garantindo que os mesmos já são ou serão reconhecidos.
Entretanto, após a conclusão desses cursos, o aluno recebe a notícia de que seu diploma não será aceito em concursos públicos, para fins de progressão na carreira, requerimento de bolsas de estudo, além da continuação dos estudos no Brasil.

Estudante deve se informar antes

Para os estudantes que pretendem se formar mestres ou doutores, o presidente aconselha que procurem a Capes para verificar a lista de instituições que oferecem os cursos reconhecidos pelo MEC. De acordo com a coordenação, no Brasil, atualmente cerca de 2.600 cursos de mestrado e doutorado são reconhecidos pelo governo.

Para que seja divulgada a lista com o nome das instituições infratoras, em meados de julho, Cury disse que irá verificar antes se estas são de fato conveniadas às instituições estrangeiras, ou se apenas foram usadas indevidamente.
A mesma opinião é dividida pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, que também informou que irá se empenhar na investigação dessas instituições para que seja encontrada uma solução para esses alunos.