Crise mundial: quem trabalha no mercado financeiro deve se preocupar?

"Crises são parte do mercado financeiro e uma condição é aprender a conviver com elas", diz consultor

SÃO PAULO – A crise financeira global já está atingindo o Brasil. Prova disso é que a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (28) a Medida Provisória nº 442, que autoriza o Banco Central a socorrer os bancos pequenos e médios.

Essas instituições correm o risco de quebrar? Instituições financeiras maiores podem passar por dificuldades? E quanto às corretoras? A resposta para todas essas perguntas é: ninguém sabe. Por enquanto, o sinal está amarelo, e não vermelho.

Preocupação

Questionado sobre se o profissional que trabalha no mercado financeiro deve se preocupar, o consultor da Ricardo Xavier Recursos Humanos e mestre em Administração de Empresas pela PUC-SP, José Antônio Rosa, responde: sim e não.

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Ele explica: “Sim, porque, em momentos críticos, como aquele em que o artilheiro vai bater o pênalti, é necessária redobrada atenção. Assim, em um momento de crise como o que estamos vivendo é necessário manter todos os sentidos atentos, para evitar o erro”.

“Crises são parte do mercado financeiro e a condição de sucesso para atuar nesse mercado é aprender a conviver produtivamente com elas. O mercado continuará existindo, trazendo enormes oportunidades de crescimento. Quem sai da raia perde terreno em termos de carreira. Ademais, em outros setores também existirão crises”, acrescenta.

Mudando de área

Para o diretor da Robert Half, Fernando Mantovani, sair da área financeira não é a resposta neste momento. “Se o profissional estiver desconfortável com sua situação, observando sinais de risco ao seu emprego dentro da instituição em que atua, deve, de forma tranqüila, começar a procurar novas oportunidades, mas dentro do próprio mercado financeiro. Talvez em empresas mais sólidas”, recomenda.

Antônio Rosa concorda. “Não é hora de mudar de área. Exceto se o profissional não gosta da área e estava esperando uma oportunidade para mudar. A carreira deve ser orientada por uma estratégia e não por episódios. Firmeza é fundamental”.

Setores mais seguros

Segundo o consultor, caso o profissional queira mudar de área, os setores mais seguros hoje são aqueles que estão mais distantes dos ativos financeiros e menos dependentes de financiamento. “Entretanto, considerar a segurança é sensato, mas gente sensata demais é candidata a emprego de baixo valor. Como disse Colombo: Todo navio é seguro no porto, mas não é para o porto que foram construídos os navios”, diz ele.

Na opinião de Mantovani, estão mais expostas à turbulência as empresas cujo dia-a-dia está muito atrelado à volatilidade do câmbio. “Tanto aquelas que trabalham com importação quanto aquelas voltadas para exportação podem ser afetadas. Não quer dizer que seja inseguro trabalhar nessas empresas, mas a situação neste momento é delicada”.

Ele conta que, na Robert Half, muitos clientes são do mercado financeiro. E eles não estão demitindo ninguém. “Apenas algumas empresas preferiram parar as contratações temporariamente”, explica.

De acordo com o diretor, não é difícil um profissional que sempre trabalhou no mercado financeiro mudar de área. “Seu perfil costuma chamar a atenção da indústria”, conta. “Mas, para evitar frustrações futuras, deve-se ponderar que o ritmo de trabalho é diferente e a remuneração variável é menos agressiva, em muitos casos”.

No dia-a-dia

Ficar atento ao que está acontecendo, ler bastante, mas tendo cuidado com uma ou outra notícia sensacionalista, e avaliar tudo com controle e bom senso. Essas são as dicas do diretor da Robert Half para quem atua no mercado financeiro.

É importante não se assustar com as notícias referentes às falências de instituições financeiras no exterior ou à queda contínua na Bolsa. As piores conseqüências desta crise têm se revelado justamente na Bolsa, ao passo que a economia real, ao menos no Brasil, parece não ter sido atingida.

José Antônio Rosa alerta que o melhor a ser tirado desta crise é o aprendizado. “Deve-se aproveitar as turbulências para aprender a navegar em mar bravo, uma expertise que vale ouro”, conclui.