Crise já afeta setores da economia, mas engenheiros estão a salvo

"Na realidade, ainda há uma carência grande de engenheiros no mercado, que não é suprida", diz gerente da Robert Half

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A última pesquisa do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) revela que a indústria do estado de São Paulo diminuiu suas vagas em 10 mil, uma queda de 0,41% em relação à setembro. Até então, o setor vinha apresentando crescimento no nível de emprego.

Além disso, de acordo com outra pesquisa, da Ricardo Xavier Recursos Humanos, pela primeira vez este ano, o mercado de trabalho teve uma queda no número de vagas abertas: foram 8,26% menos postos em outubro, contra o mês anterior, quando havia sido registrado um crescimento de 6,63% ante agosto.

Segundo o presidente da Ricardo Xavier, Hélio Terra, a pequena queda decorre principalmente da influência da crise nas empresas de capital internacional, que já estão revendo seus investimentos, o que inclui a contratação de novos profissionais.

Aprenda a investir na bolsa

Mesmo com os indicadores negativos, o gerente da divisão de engenharia da Robert Half, Roberto Britto, afirma que a perspectiva de crescimento da contratação de engenheiros se mantém. “Algumas empresas com matrizes fora do País podem sentir mais a crise, porém o mercado ainda precisa de engenheiros”.

Desaceleração no fim do ano

Britto admite que algumas empresas estão aproveitando o período de fechamento de ano para “segurar um pouco as contratações”. “Mas as vagas não estão sendo canceladas [apenas, os processos seletivos foram prorrogados]”, afirma. “Na realidade, muitas organizações continuam abrindo vagas”, acrescenta.

O profissional com formação em engenharia é um dos mais demandados no mercado, desde que o Brasil conseguiu estabilizar sua economia. Além do crescimento econômico, outro motivo que impulsionou essa demanda foi a expansão da tecnologia, que levou ao aumento da procura por profissionais mais técnicos.

Como o mercado global exige que as empresas sejam cada vez mais competitivas para sobreviverem, elas foram à caça de mão-de-obra qualificada.

O gerente da Robert Half não só rebate previsões de queda de contratações de engenheiros como também vai além: “A tendência é de crescimento. Por exemplo, este ano, o patamar de produção das empresas foi bem maior do que nos últimos três anos. A tendência é de que as organizações necessitem de mais engenheiros para manter o nível de produção”, diz.

“Na realidade, ainda há uma carência grande de engenheiros no mercado, que não é suprida. Por isso, acredito que deve continuar alta a procura por engenheiros, com ou sem crise”.

Salários

PUBLICIDADE

Confira abaixo os salários praticados este ano para engenheiros, levantados para o guia salarial da Robert Half. Os salários estão divididos por tempo de experiência do profissional:

Cargo0 a 2 anos3 a 5 anos6 a 9 anos10 a 15 anosmais de 15 anos
Diretor industrialentre R$ 18 mil – 25 milentre R$ 22 mil – 28 milentre R$ 24 mil – 30 milentre R$ 25 mil – 32 milentre R$ 30 mil – 45 mil
Gerente de obrasR$ 8 mil – 15 milR$ 10 mil – 16 milR$ 13 mil – 19 milR$ 14 mil – 25 milR$ 15 mil – 29 mil
Gerente de compras/ suprimentosR$ 6 mil – 11 milR$ 8 mil – 14 milR$ 9 mil – 18 milR$ 11 mil – 20 milR$ 12 mil – 25 mil
Gerente de qualidadeR$ 6 mil – 10 milR$ 7 mil – 11 milR$ 8,5 mil – 13 milR$ 9 mil – 16 milR$ 10 mil – 20 mil
Gerente de produção/ industrialR$ 5 mil – 10 milR$ 7 mil – 14 milR$ 8 mil – 18 milR$ 10 mil – 22 milR$ 14 mil – 30 mil
Supervisor de logísticaR$ 2,5 mil – 7 milR$ 4 mil – 8 milR$ 5 mil – 9 milR$ 6,5 mil – 10 milR$ 7 mil – 12 mil
Engenheiro de aplicação/ processosR$ 2 mil – 5 milR$ 3 mil – 6,5 milR$ 3,5 mil – 7 milR$ 4 mil – 8 milR$ 5 mil – 9,5 mil
Engenheiro de orçamentosR$ 2 mil – 5 milR$ 3 mil – 7 milR$ 5 mil – 10 milR$ 7 mil – 14 milR$ 9 mil – 23 mil
CompradorR$ 1,5 mil – 5 milR$ 2 mil – 7 milR$ 3 mil – 8 milR$ 4 mil – 9 milR$ 5 mil – 12 mil