Crise faz escolas de negócios mudarem grade curricular

Se antes a prioridade era enfatizar o ensino em aspectos financeiros, neste momento, a gestão empresarial ganha relevância

SÃO PAULO – Diante da crise financeira mundial, as escolas de negócios tiveram que adaptar a sua grade curricular para atender a demanda do mercado de trabalho. Se antes a prioridade era enfatizar os aspectos financeiros, nesse momento, essas instituições de ensino começam a valorizar a gestão empresarial.

“Um exemplo claro dessa mudança (que sempre é de longo prazo) é dado pelas multinacionais brasileiras, ou seja, empresas com operações no exterior. A competência em gestão que era apenas a décima preocupação mais importante dos gestores para competir no mercado doméstico, hoje, depois da internacionalização, é a terceira mais relevante”, afirma a diretora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Maria Tereza Leme Fleury.

O problema da formação executiva

Um outro problema enfrentado nos cursos, na opinião de Maria Tereza, são as dificuldades que os estudantes de educação executiva encontram por conta das falhas do sistema de educação básica brasileiro.

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“A precariedade do ensino básico no Brasil é algo que tem impactos na educação executiva, pois é comum um aluno chegar à faculdade ou à pós-graduação com problemas de formação que impedem o aprimoramento. Nesse sentido, nossa experiência mostra que a educação executiva tem de ser pensada já desde a graduação, passando pela educação executiva e por programas de pós-graduação que desenvolvam uma mentalidade mais global”.

Maria Tereza destaca ainda que os programas de formação executiva precisam pensar tanto na capacitação daquele executivo que irá atuar em empresas quanto naqueles executivos que pretendem se tornar empresários, ensinando o empreendedorismo. Outra vertente de estudo que precisa ser analisada é o programa de formação de gestores públicos, atividade ligada diretamente à necessidade de modernização do Estado.

Falhas no ensino

Além dessas preocupações, as escolas de negócios também precisam verificar a eficácia de alguns métodos de ensino aplicados, como o estudo de casos. Para Maria Tereza, esse modelo de aprendizado, no qual os estudantes analisam um determinado caso de uma empresa e tomam as decisões, é limitado.

“O estudo de caso, fundamentado em diagnóstico e decisão, precisa compreender melhor a complexidade de uma organização. O processo de tomada de decisão fundamentado em um estudo de caso pode levar os gestores a acreditarem que as soluções para os diferentes problemas de uma organização são mais fáceis do que parecem, levando a simplificações”.