Crise: 20 mi podem perder emprego e mais pessoas, viver com US$ 1 por dia

Mas, para Lupi, Brasil está protegido contra crise e seus desdobramentos não irão prejudicar mercado de trabalho

SÃO PAULO – A crise financeira global pode acarretar o desemprego de cerca de 20 milhões de pessoas, afirmou na manhã desta segunda-feira o diretor-geral da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Juan Somavia.

A afirmação foi feita com base em dados do crescimento mundial revisados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Somavia disse que estimativas preliminares indicam que o número de desempregados pode aumentar de 190 milhões para 210 milhões.

Pobreza também aumenta

Além disso, o número de indivíduos que sobrevivem com menos de US$ 1 por dia deve crescer aproximadamente 40 milhões; já aqueles que vivem com menos de US$ 2 devem somar mais 100 milhões. Segundo Somavia, a crise atual atingirá setores como o automotivo, de construção, turismo, finanças, serviços e imobiliário.

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Para ele, as estimativas recentes podem estar subestimadas, se os efeitos da retração econômica e a provável recessão não forem rapidamente confrontados.

“Esta não é uma simples crise em Wall Street, esta é uma crise em todas streets (ruas). Nós precisamos de um plano de resgate econômico para as famílias trabalhadoras e a economia real, com regras e políticas para garantir empregos recentes. Devemos conectar melhor produtividade a salários e crescimento a emprego”.

Mercado brasileiro

Apesar dos apelos e preocupações da OIT, no Brasil, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou que o Brasil está protegido contra a crise financeira internacional e que os seus desdobramentos não irão prejudicar o mercado de trabalho brasileiro. Segundo ele, a expectativa é que, neste ano, sejam criados mais de 2,1 milhões de empregos com carteira assinada.

Para o ano que vem, a estimativa é de que haja mais 1,8 milhão de novos postos. “Só há possibilidade de esses números serem revistos se for para cima”, disse Lupi, de acordo com informações da Agência Brasil. Sobre a possibilidade de a crise atingir as empresas de exportação, causando demissões, ele disse não acreditar que elas já estejam sentindo os efeitos da crise, uma vez que elas trabalham com encomendas feitas com uma margem aproximada de um ano de antecedência.