Criatividade não é privilégio e pode ser desenvolvida; conquiste a sua em 7 passos

No mercado de trabalho, os criativos se destacam. Para os especialistas, com disciplina, é possível desenvolver a habilidade

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SÃO PAULO – Diante das dinâmicas aceleradas do mercado de trabalho, muitos profissionais correm em busca de aprimoramento a fim de conquistar os melhores postos nas melhores empresas. Preocupados com isso, contudo, muitos esquecem de desenvolver habilidades e competências mais intangíveis e que são cada vez mais valorizadas pelo mercado. A criatividade é uma delas e pode ajudar a determinar quem sobreviverá nesse cenário competitivo.

Um profissional criativo enxerga soluções onde os demais veem apenas problemas, cruza referências para alcançar o novo e inova práticas utilizadas no passado. “É importante diferenciar a criatividade pura da criatividade aplicada, que é utilizada no mercado de trabalho”, explica o gerente de Projetos em Desenvolvimento de Pessoas do Idort-SP, Danilo Afonso. “O artista utiliza dessa criatividade mais pura, da criação. A criatividade aplicada foge um pouco disso, porque não é tão ousada como a criatividade pura, mas resolve problemas”, afirma. Para ele, um profissional criativo conhece, entende e aplica as regras e os processos, mas sabe quando é hora de escapar disso tudo para ter melhores resultados.

E profissionais que resolvem problemas, sem criar outros, de maneira inovadora e que ainda geram resultados satisfatórios para as empresas são raros. Mas não são impossíveis de serem achados, pois você pode ser um deles. Nessa hora, muitos devem estar se perguntando: “Como isso é possível, se não me considero nada criativo?”. “É que existem muitas formas de ser criativo”, afirma a diretora da consultoria especializada em Gestão de Pessoas Projeto RH, Teresa Gama. “O criativo não é só aquela pessoa que pinta quadros, mas aquela pessoa que enxerga novas possibilidades, ainda que tenha uma rotina mais engessada”, afirma.

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Para a especialista, todo mundo pode desenvolver a criatividade. Alguns têm uma maior predisposição que outros, mas é possível chegar lá com algum esforço e muita disciplina. “Todos nós temos esse potencial”, considera. Aliados a essa predisposição, alguns fatores podem favorecer o desenvolvimento dessa habilidade. Por outro lado, outros podem retardar esse processo. “Em determinadas empresas, pelas próprias características delas, fica mais difícil ser criativo”, alerta o presidente executivo do Insadi (Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual), Dieter Kelber.

Ele atenta que embora seja possível desenvolver a criatividade, os profissionais devem ficar atentos ao que é possível mudar. “Se na empresa você não tiver situações diferentes do padrão, ficará mais difícil a criatividade fluir”, acredita. Independentemente da situação, ainda que ela não seja muito favorável, tentar ser mais criativo pode ajudar no desenvolvimento da carreira. E o resultado dessas tentativas pode ser a conquista dos melhores postos nas melhores empresas.

Conquiste a sua criatividade
A criatividade é alcançável a todos, mas é mais fácil desenvolvê-la quando se tem facilidade de lidar com o campo das ideias. “O criativo prefere trabalhar no campo das ideias, pois ele tende a ser mais inovador, ao passo que fica mais difícil inovar quando se tem mais facilidade de trabalhar com o campo dos fatos”, explica Afonso. Saber em qual lado se está (ou se está nos dois) não é fácil, por isso, o especialista aconselha aos profissionais consultarem alguém de confiança que possa lhes dizer se o caminho rumo à criatividade começou bem.

O caminho fica melhor se a área e a empresa para qual se atua permitirem um clima para sustentar essa habilidade. “O ambiente de trabalho contribui muito para isso, pois você tem que ter a possibilidade de ser mais criativo”, considera Kelber. “Se o profissional ficar amarrado dentro dos processos da empresa, terá mais dificuldades”, afirma. Nessa hora, é preciso tentar romper as amarras e tentar criar, ainda que internamente, um cenário propício para a criatividade se manifestar. E como fazer isso? Confira abaixo os sete passos listados pelos especialistas consultados para você desenvolver a criatividade: 

“Não sou criativo!” Se você pensa assim, começou mal. Para Teresa, da Projeto RH, ter consciência de que se pode desenvolver essa habilidade é o passo, e talvez o primeiro, para se tornar um profissional mais criativo. “É preciso olhar para essa sentença e questioná-la. O profissional precisa valorizar e reconhecer as alternativas criativas que ele encontra para resolver um problema do dia a dia”, explica. Isso abrirá caminhos para novas e mais ideias. 

Mente aberta… Mas poucas ideias se sustentam com pouco repertório. Por isso, um dos requisitos mais importantes para a conquista da criatividade é investir em conhecimento. Não em aprimoramento técnico, mas sim em repertório humano e social. “Um repertório limitado devido à falta de informação dificulta esse processo”, afirma Afonso, do Idort. “Com conhecimento, é possível fazer associações entre as referências, o que ajuda na busca por soluções dos problemas”, explica. 

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… E sem preconceitos Ir a algum lugar que você tem certeza de que não vai gostar, ler um livro que só pela capa você não achou em nada a sua cara só ajuda a mente a criar novas conexões. “Para ser mais criativo, você precisa se desafiar a fazer coisas que nunca fez e ir a lugares que nunca foi”, aconselha Afonso. Quebrar alguns preconceitos inerentes à nossa criação dá chances para termos novas e diferentes referências. 

Mente sã… Além de cuidar da “cabeça”, é preciso também cuidar do corpo. Para Afonso, estar fisicamente bem também contribui com esse processo. Por isso, insira as atividades físicas e a alimentação saudável na sua rotina. Sem preocupações com o corpo, você abre espaço para os pensamentos (e as ideias) fluírem.

Não deixa-a escapar! Você estava tomando banho quando uma ideia, a princípio boba e que nada tem a ver com o seu trabalho, surgiu? Saia do banho e a anote. “Quando você dá atenção àquilo que surge espontaneamente, você abre espaço para as ideias amadurecerem”, afirma Teresa. E dessa ideia “boba” pode surgir a solução de algum problema e um projeto inovador. 

Não guarde na gaveta! E não adianta nada anotar aquela ideia genial e esquecê-la jogada em uma gaveta. Colocá-la na roda de discussão dos amigos mais confiáveis pode render bons frutos. “Discutir ideias é uma forma de tentar ver a vida diferente”, afirma Teresa. E ela defende que o criativo se resume, basicamente, a isso. Ele enxerga o diferente. Além disso, o debate pode tornar aquela ideia ainda mais inovadora e mais possível de ser realizada. E ainda gerar outras e outras ideias, como em um ciclo virtuoso. 

Nada de bagunça E para quem pensa que o criativo é aquele que acorda com aquela ideia genial errou de novo. Todos os passos anteriores exigem muita disciplina. Para se tornar criativo, é preciso mais que conhecer profundamente sua área de atuação, sua empresa e as relações que ela estabelece. É preciso estar atento ao que ocorre em sua volta e fazer tentativas. “Aquele escritor que você acha genial não nasceu assim. Ele acordou cedo e escreveu por horas até acertar”, afirma Afonso. Para quem quer ser criativo, as tentativas devem ser constantes.