Crescimento salarial no Brasil durante a crise foi maior que média mundial

Segundo OIT, no Brasil, trabalhador obteve, em média, aumento salarial de 3,2% em 2009; no mundo, foi de 1,6%

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SÃO PAULO – Enquanto a crise econômica reduziu pela metade o crescimento mundial de salários entre 2008 e 2009, o Brasil mostrou bom desempenho, com aumentos bem mais significativos que a média. Ao menos, esta é a conclusão do Relatório Mundial sobre Salários, divulgado nesta quarta-feira (15) pela OIT (Organização Internacional do Trabalho).

De acordo com o levantamento, no Brasil, o trabalhador obteve, em média, aumentos salariais reais de 3,2%, 3,4% e 3,2%, em 2007, 2008 e 2009, respectivamente, sendo que os bons resultados devem-se ao fato de que os efeitos da crise econômica no País teriam sido mais breves.

Além disso, avalia a Organização, o aumento do salário mínimo no período também teria contribuído para o desempenho brasileiro, visto que ele incide em um em cada seis trabalhadores assalariados do País.

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Média global
Ainda conforme o estudo da OIT, no geral, o crescimento médio dos salários mensais caiu de 2,8% em 2007 a 1,5% em 2008 e 1,6% no ano seguinte. Contudo, ao excluir a China, estes percentuais caem para 0,8% em 2008 e 0,7% em 2009.

Por região, o relatório aponta que embora o crescimento dos salários tenha diminuído, na Ásia e na América Latina ele permaneceu positivo, enquanto que na Europa e Ásia Central houve fortes quedas. 

“Este trabalho mostra outra face da contínua crise de emprego (…) A recessão não tem sido dramática apenas para milhões de pessoas que perderam seus empregos, pois também afetou aqueles que mantiveram seus trabalhos, com a redução, de maneira drástica, do poder aquisitivo e do bem-estar geral”, comentou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Baixa renda
No que diz respeito ao número de pessoas que recebem menos de dois terços do salário médio, o documento mostra que desde a metade da década de 90 este percentual tem aumentado em mais de um terço dos países, sendo que na China 45% dos trabalhadores migrantes de baixa renda vivem em situação de pobreza.

No Brasil, 21,5% dos trabalhadores assalariados nas seis regiões metropolitanas cobertas pela PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são considerados de baixa renda.

No País, de 2002 a 2009, houve pouca mobilidade entre os trabalhadores de baixa renda e os demais assalariados, com 44,2% mantendo sua situação de trabalhador de baixa renda, 18,3% ficando desempregado ou saindo do mercado de trabalho e 37,5% passando a obter salários mais favoráveis.

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Neste último caso, diz o relatório, muito por conta do aumento do salário mínimo no período.