Cresce o número de dispositivos móveis pessoais em empresas brasileiras

Atitude de profissionais que passam a levar tecnologia própria para o trabalho expõe despreparo de organizações na área de TI

SÃO PAULO – O uso de tecnologias móveis por parte dos trabalhadores dentro de organizações privadas têm se mostrado cada vez mais comum nos últimos anos. Hoje, por exemplo, não é raro encontrar profissionais que prefiram executar atividades diretamente de smartphones, tablets e notebooks pessoais. Tal tendência, entretanto, não vem sendo bem aproveitada pelas empresas, que se mostram ainda despreparadas para lidar com o fato.

A conclusão de tais informações é fruto do último estudo sobre consumerização de TI realizado pela IDC (International Data Corporation) à pedido da Unisys Corporation. De acordo com a pesquisa, apenas no Brasil, 37% dos chamados trabalhadores de informação ou iWorkers utilizam smartphones para acessar aplicações de negócios nas empresas – o que coloca o País na liderança do uso deste dispositivo em âmbito profissional.

“Vivemos um momento no qual as organizações não estão mais ditando as tecnologias a serem usadas dentro de seu ambiente. Hoje, este movimento ocorre em direção oposta: são os funcionários estão trazendo seus equipamentos para o trabalho”, diz o diretor de negócios de outsourcing da Unisys Brasil e América Latina, Paulo Roberto Carvalho.

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Entre as razões para esta mudança estão a facilidade do consumo de tais inovações e a identificação dos usuários com os recursos oferecidos por tais tecnologias não apenas em âmbito pessoal, mas também profissional. “Tal atitude não deve ser combatida pelas organizações, mas sim tratada”, reforça Carvalho.

Segurança em primeiro lugar
A entrada de novas tecnologias dentro das organizações deve ser avaliada com cautela pelos responsáveis de TI, afinal, a entrada de novos equipamentos pode expor algumas vulnerabilidades da empresa, especialmente no que diz respeito à segurança da informação.

Segundo o levantamento, 61% dos executivos brasileiros afirmaram que é comum encontrar funcionários que busquem assistência nas próprias áreas de TI das organizações ao encontrar problemas técnicos em seus aparelhos pessoais.

”Apesar das empresas brasileiras reconhecerem que estas tecnologias são importantes para seus funcionários, pouco tem sido feito para fornecer suporte adequado no ambiente de trabalho”, diz Carvalho. “Não vemos uma politica de segurança bem definida, principalmente sobre o tipo de proteção que um profissional precisará pra evitar que seu equipamento torne a rede vulnerável”.

Ao que consta, os departamentos de TI ainda não estão realmente informados sobre os riscos do uso destas tecnologias dentro das empresas: em 2010, por exemplo, 58% dos executivos de TI entrevistados reconheceram a necessidade de oferecer um treinamento sobre o uso destes equipamentos aos funcionários. Neste ano, o número caiu 44 pontos percentuais.

Fora da realidade
Outro ponto que tem chamado a atenção do mercado é a falta de consciência que muitos empresários apresentam sobre o uso das tecnologias dentro das organizações. De acordo com a pesquisa, enquanto 75% dos iWorkers brasileiros alegam usar seus smartphones pessoais no trabalho, apenas 38% dos executivos de TI acreditam que isso ocorra. Quanto aos tablets, o uso no trabalho é apontado por 22% dos profissionais, sendo o percentual de executivos que demonstram consciência desta ação de apenas 4%.

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Soluções
Para evitar a exposição das companhias brasileiras a possíveis ataques externos ou quebras de sigilo de informações, é importante que os responsáveis pelas empresas fiquem atentos aos métodos de transição de dados atualmente empregados na corporação. Além disso, a criptografia e o uso de chaves de segurança têm se mostrado mais adequados para evitar problemas deste tipo.

“O bloqueio de cópias de arquivos por aparelhos iPhone e iPod também têm sido empregados como modo de proteção”, informa Carvalho. “Por esta razão é importante definir políticas de proteção mais eficazes, que possam não apenas impedir cópias, mas também proteger o sistema corporativo de receber vírus decorrentes do uso de dispositivos móveis pessoais”, completa.