Conheça a diferença entre os cursos da área de informática e como está o mercado

Profissional ligado à área de tecnologia da informação tem amplas possibilidades no mercado de trabalho brasileiro

SÃO PAULO – O setor de tecnologia da informação é um dos que mais sofrem com falta de mão de obra. Trata-se de um gargalo que trava o crescimento de empresas de diversos setores que, por sua vez, limitam uma perspectiva ainda maior de crescimento econômico e distribuição de renda no Brasil.

É possível afirmar, portanto, que um profissional formado em computação e informática tem grandes chances de colocação no mercado e, acrescendo diferenciais ao seu currículo, pode ter uma faixa salarial de ótimo padrão.

Muitos estudantes, no entanto, não sabem qual curso devem seguir e que área do mercado é atendida por cada profissional, o que gera dúvidas, confusão e, muitas vezes, tempo e recursos financeiros desperdiçados por parte dos alunos. 

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Cada curso
O diretor da Faculdade de Informática da PUCRS, Avelino Zorzo, explica a distinção entre os cursos existentes atualmente. 

  • Ciências da Computação: é o curso central da área de TI. O aluno tem conhecimento sólido em diversas áreas, por exemplo, sistemas operacionais, redes de computadores, programação, engenharia de software, banco de dados, modelagem de sistemas, compiladores, podendo também ter conhecimentos mais específicos em entretenimento digital, computação gráfica, sistemas formais, computação em nuvem, entre outros. Ele pode atuar tanto em uma empresa da área de TI como em uma empresa fortemente dependente de TI. Pode desenvolver tanto software básico quanto software aplicado.
  • Engenharia de Computação: é um curso que possui grande relação entre TI e Engenharia. O aluno terá sólido conhecimento nas áreas da matemática, processamento de sinais, microeletrônica, sistemas de controle, programação, arquitetura de computadores, sistemas operacionais e redes de computadores. Ele irá atuar na interface entre o software e o hardware em sistemas de automação, podendo desenvolver tanto o software quanto o hardware. Na linha de software, o profissional desta área irá desenvolver software básico.
  • Sistemas de Informação: este curso possui uma forte formação na área de TI e tangencia algumas áreas de administração de empresas. O aluno tem conhecimento sólido na área de programação, engenharia de software, gerência de projetos, infraestrutura de TI, governança de TI, gestão de pessoas. Ele irá atuar no desenvolvimento de sistemas para empresas dependentes da área de TI, sempre voltado para solução de problemas alinhado ao negócio da empresa, uma vez que tem conhecimentos na área de administração de empresas.
  • Administração com ênfase em informática: são voltados para gestão de recursos da área de TI, entretanto, estes cursos formam administradores que possuem conhecimentos de sistemas e infraestrutura de TI, mas não sobre a parte técnica ou de construção e desenvolvimento de sistemas e infraestrutura de TI.
  • Tecnólogos: os cursos tecnológicos, em geral com duração de 2 anos, preparam os profissionais para uma área específica da tecnologia da informação, por exemplo, redes de computadores ou banco de dados. Estes profissionais atendem uma demanda imediata do mercado, entretanto têm dificuldade de mudar de área, necessitando, em geral, de nova formação.

Demanda
Segundo o diretor da faculdade de informática da PUCRS, em todas as áreas citadas há carência de profissionais. “Um bom profissional na área de TI tem emprego garantido, podendo muitas vezes escolher a empresa que deseja atuar”, relata.

Ele lembra que a tecnologia da informação está em todos os setores da economia, já que não existe nenhum segmento que não precise da área. “Atualmente, diversas empresas têm investido no Brasil devido à qualidade do profissional que existe, competindo fortemente com as empresas brasileiras, que hoje conseguem exportar software e serviços no mesmo nível, ou melhor, de qualidade”, exalta.

Perfil
Segundo o professor, a formação existente no Brasil é de qualidade. “A área de computação no Brasil sempre foi muito preocupada com a qualidade dos cursos de graduação, talvez até por este motivo o número de formados nunca foi muito elevado”, explica.

Um problema, no entanto, ressalta o docente, é a distância entre a formação recebida nas universidades e a necessidade tecnológica existente no mercado de trabalho. “Por um lado, as universidades ensinam ciência e utilizam tecnologia para exercitar esta ciência. Desta forma, o profissional terá melhores condições de enfrentar as mudanças tecnológicas que surgirão, e não são poucas. Por outro lado, as empresas querem um profissional qualificado, mas com alto conhecimento tecnológico imediato e atualizado”, cita Zorzo.

A própria universidade onde Zorzo atua tenta minimizar o problema com novas soluções. A PUCRS desenvolveu nos últimos anos um grandioso parque tecnológico (TecnoPUC) para aproximar academia e indústria, com apoio do governo. No local, alunos, profissionais do mercado, pesquisadores e gestores convivem trocando experiências, práticas, ideias e projetos em dezenas de empresas do ramo de tecnologia.

O professor recomenda que os profissionais que queiram atuar na área sejam pró-ativos, dominem a língua inglesa, tenham ética, e consigam trabalhar em grupo, com comprometimento, sabendo se comunicar com outras áreas do conhecimento. Avelino Zorzo recomenda: “O profissional de TI não tem mais o perfil do ‘nerd’. Hoje, o profissional tem de ser uma pessoa que consiga interagir com outros trabalhadores de uma maneira clara, pois na grande maioria da vezes ele irá resolver problemas, usando TI”, orienta.