Congelamento da tabela de IR contribuiu para queda da renda do trabalhador

Opinião é do Dieese, que também revelou que participação dos salários no PIB teria caído de 44% para 36% entre 1992 e 2003

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SÃO PAULO – De acordo com o estudo “O Impacto do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os Assalariados” divulgado, divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), os trabalhadores assalariados foram os maiores prejudicados pela não correção da tabela de imposto de renda.

Mudanças só no IR 2005

Congelada por seis anos, entre 1996 e 2001, a tabela foi corrigida pela última vez em janeiro de 2002, quando as faixas da tabela foram reajustadas em 17,5%, permitindo a elevação do teto de isenção mensal para R$ 1.058,00.

Ao contrário do que muitos esperavam, o governo Lula não promoveu nenhum reajuste na tabela de IR. Mesmo que o presidente anuncie, como prometido, novidades sobre o assunto até o final dessa semana, essas mudanças irão impactar apenas a declaração de IR 2005.

Achatamento da renda

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Somente durante o seu governo, a defasagem entre a tabela e a inflação medida pelo IPCA seria de 11,32% segundo o Dieese. O estudo também constatou que a não-correção da tabela implicou em um aumento da carga tributária, o que por sua vez contribuiu para o achatamento da renda do trabalhador assalariado.

Essa tendência pode ser constatada ao se analisar a participação dos salários no PIB (produto interno bruto), que teria caído de 44% para 36% entre 1992 e 2003. Em sentido contrário, a participação da carga tributária sobre o PIB aumentou, no mesmo período, de 28% para 36%.